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A mostrar mensagens de 2021

Primavera

Cheira a Primavera. Estranho ser o mesmo cheiro da quinta, aquele que sinto aqui da minha janela em plena cidade. Cheira a flores e a terra. A gatos, a vento e a inocência. À inocência que me recorda os meus saltinhos e subidas às árvores de pequena. Quando inspiro é como se a infância me entrasse narinas adentro; é como se a quinta ainda existisse; como se tu e o avozinho ainda por aqui andassem. As andorinhas já rondam a sua casa de férias na minha janela. Ainda não entraram, mas rondam-na. Como no dia em que nos deixaste que se puseram em fila pousadas no meu parapeito. Nunca mais fizeram isso. Só ali pousaram quando nos deixaste. E hoje, esvoaçam por aqui e tu já não estás. Foste-te em cinzas e as andorinhas continuam a existir. E Primavera voltou sem a tua permissão. Que ousadia. Como pode ela voltar assim quando já não estás? Tenho saudades tuas como tenho da minha infância. Levaste-a contigo, sabes? Os ensinamentos que me deste ficaram desenraizados com a tua partida. Perderam a

Preto e Branco

Poderia ver o mundo a preto e branco. Poderia olhar para a sociedade e ver a cor da pele, dos olhos ou do cabelo. Poderia apenas ver o bem e o mal; o certo e o errado...  Seria mais fácil do que ver todas as cores das quais o mundo se pinta. Seria mais fácil do que ver as milhares de flutuações que separam o certo do errado. Às vezes, num exercício inglório, tento ver só a preto e o branco. Por não ser capaz, olho a sociedade e os seres humanos como seres únicos e diferenciados. Não consigo olhar para um grupo e vê-lo homogéneo, porque ele nunca é homogéneo, mesmo que queiramos enfiar todos os elementos num mesmo saco. Os pretos, os brancos, os ciganos, os índios, os asiáticos e os amarelos às bolinhas azuis não se resumem à cor, à raça; ou a lá o que nos faz termos aparências tão diferentes.  Tal como os grupos profissionais. Os policias, os juízes, os advogados, os médicos ou os professores não são apenas as profissões que ministram. São seres com "bagagens" distintas, pers