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Afectos e machismo

Imagem DAQUI. Todo o documento AQUI

  1. Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;
  2. Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.


Proponho o seguinte exercício:
- Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares;
- Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.

Que resultado obteríamos deste exercício?
  1. Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...
  2. Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"...
Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade.
Enquanto não conseguirmos separar crenças religiosas, ou outras, no exercício da justiça estaremos sempre em desigualdade.

O caminho é longo e o futuro ainda não é capaz de esboçar um sorriso no que diz respeito à igualdade de género ou à discriminação. Seguimos carentes, ainda, de muita coisa.


Comentários

  1. Tanta discriminação e desigualdade em tantos campos por esse país fora...

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