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Portei-me bem, não portei, mãe?

No dia de aniversário da minha avó é costume encontrar-me com os meus tios e primos e, agora, com os filhos dos meus primos.
No ano passado, como de costume, encontrámo-nos em casa da minha avó para festejarmos os seus 79 anos. 
O meu filho é o mais velho das crianças e raramente vê os filhos dos meus primos, por isso andou por lá numa brincadeira pegada com eles.
No final da noite, quando vínhamos embora, diz:
- Portei-me bem, não portei, mãe?
- Sim, portaste. Porque perguntas isso?
- Eh eh eh! Porque pus os putos todos a brincar à porrada!

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Assédio tuga

Hoje fui assediada de uma forma um tanto ou quanto... original.

Numa exposição, um senhor de uns oitenta e poucos anos encostou o ombro ao meu como que para ver o mesmo artigo exposto que eu estava a ver. Como uma pessoa mais ou menos bem-educada, afastei-me para lhe dar espaço, pensado que era isso que pedia com o encosto.
O senhor volta a aproximar-se e diz: -Minha senhora, dá-me um beijinho? Olho para ele espantada e respondo:  - Não! - Porquê? - pergunta, estranhando a minha nega. - Porque não nos conhecemos. - Mas a senhora tem uma cara tão bonita... Dê-me lá um beijinho!
Afasto-me com medo que, num saltinho (porque sou para o alta e ele era para o baixo), me espete um beijo, apanhando-me desprevenida. Finjo que vou ver outra peça da exposição para me afastar um pouco mais. O senhor vem atrás de mim e, como me sinto perseguida, olho para "maman" que está de costas e completamente alheio ao assédio de que estou a ser vítima, na esperança que, caso a coisa dê para o torto…

Um Pavor de Pai Natal

O J. que nunca gostou de Pais Natal foge cada vez que encontra um nos Centros Comerciais. Hoje, quando andávamos às compras, rezando para que não encontrássemos nenhum à esquina, pergunta-me: - Alguma vez me tentaste obrigar a sentar ao colo de um Pai Natal? - Não, claro que não. Ainda mais eu que sempre tive medo de palhaços e te compreendo tão bem por não gostares de Pais Natal. - A sério? Sempre tiveste medo de palhaços? - pergunta, sentindo o seu medo menos solitário. - Sim, sempre tive medo de palhaços e mascarados. Fazia-me impressão não  lhes conseguir ver as expressões faciais. - Mas houve uma vez que te mascaraste de palhaço... - Sim, mas isso já foi mais tarde. Além disso, não tinha medo de mim, como é lógico. - E o pai? Tentou sentar-me ao colo de algum Pai Natal? - Não, que me lembre, não. Mas o pai não te ia fazer isso... Nenhum de nós te ia obrigar a sentar ao colo do Pai Natal. Podíamos ter perguntado se querias, mas obrigar-te não, de certeza. Porque perguntas isso? -…

Parceira de PET

Há uns tempos, durante a minha cruzada oncológica, fiz várias PET - Tomografia por Emissão de Positrões. O exame não é doloroso, no entanto foi dos que mais me custou fazer. Requeria uma longa preparação de jejum e de imobilidade que, para uma pessoa como eu, cujo mau-humor se acentua quando exposta a factores como a fome, o frio e o sono, me deixava para lá do insuportável. Durante as longas horas de preparação só me apetecia bater em toda a gente que cruzasse o meu caminho. Como não o podia fazer, tentava dormir para esquecer a fúria que me invadia.
Num destes dias de tortura, dormi durante umas sete ou oito horas numa cama de hospital até me chamarem para a sala, dita, de preparação para o exame. Já tinha uma noite de jejum em cima e estava possessa. 
Tal como podem ler na definição de PET que linquei acima, é-nos injectada uma substância radioactiva antes do exame, que nos percorre o corpo e assinala os consumos de glicose anormais das células, uma das características das células…