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É o país que temos!

Esta típica frase portuguesa aparece vezes sem conta a rematar conversas que não se querem ter mais do que à superfície. Faz-me lembrar o fado, o fatalismo, a resignação a um destino.
Oiço-a amiúde e não sou capaz de a deixar de ouvir.
"Os impostos são muito altos. É o país que temos!"; "Os políticos são todos uns corruptos! É o país que temos!"; "O ladrão saiu em liberdade! É o país que temos!"; "Hoje choveu! É o país que temos!"; e por aí fora aplicada a qualquer conversa de circunstância. 

"É o país que temos" é o ponto final. Acabou, não há nada a fazer. Temos pena, mas agora vamos à nossa mísera vidinha de cabeça baixa num lamento interminável!

Claro que há muito a fazer, porra! 

É este o país que queremos ter? 
Se não é, porque não o mudamos?

Eu respondo: porque do que gostamos realmente é de nos lastimar. Seja lá do que for. Se fizermos coisas, se mudarmos o que está mal, já não temos razão de queixa. Já não temos o fado, temos tudo tragicamente bem. E isso é que não pode ser. Que iríamos fazer a seguir? Desfrutar da vida alegremente, assim, sem mais nem menos?
Que conversas teríamos no café? Que bocas mandaríamos nas redes sociais? Que ofensas poderíamos atirar aos outros?
Nada! Deixávamos de ter assuntos para debater. Perderíamos a alegria de sermos eternamente infelizes.

É o país que temos!


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