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Dos blogues

DAQUI

Comecei isto dos blogues faz tempo. Mais precisamente em 2011. Faz tanto tempo que este menino aqui já completou cinco anos em Agosto.

Há cinco anos e picos que venho para aqui arrotar as minhas postas de pescada. Primeiro, em núpcias das delícias da maternidade; depois confrontada com o fim das núpcias; hoje, com a consciência de que a maternidade se expande por tudo o que é lado da vida da gente.

Nunca, mas mesmo nunca, tentei tornar este blogue num lugar cuchi-cuchi, fofinho e queridinho. Este lugar não é de todo fofinho. Não há por aqui adoçantes da vida, nem marcas a embelezar o que se passa por dentro e por fora da minha experiência enquanto mãe, ou enquanto pessoa, ou até mesmo a comandar o que escrevo. Não me deixo limitar por "politicamente correctos" ou estereótipos que atentem contra a minha liberdade na escrita. Escrevo o que me dá na real gana, quando me dá na real gana.

Em tempos, cheguei a ter por aqui uma publicidade, mas nada que me prendesse e algo de que até gostava. Hoje, tenho a do Google por aí espalhada que não me rende nadinha, mas adorna os espaços vagos, fica bonitinho e dá um ar de homenzinho a este blogue imaturo.

Talvez por nunca ter tido a sorte, ou o azar, do blogue ir para além de umas diminutas visualizações, nunca ficou na moda, nunca se encheu de "gostantes" no Facebook ou noutra rede social qualquer.
Se houver por aí alguma marca que se queira associar a este modelo anti-cuchi-cuchi, não me importarei que ponham aqui a sua montra, no entanto não me ralo muito com isso, não empreendo esforços para que o façam, nem vou a correr atrás delas a dizer "estou aqui, olhem lá para este sítio tão giro. Não querem que vos venda uns produtos, fingindo que os aprecio bué?". Se fosse uma livraria, até não me importava de experimentar alguns produtos... Fica dica, hã?!

De certa maneira, até estou agradecida que não venham colar-se aqui para que não me sinta presa ou condicionada a elas. Gosto de andar por aqui em liberdade, gosto de sentir que, mais do que dos leitores, este espaço é meu.
Falo convosco com a sinceridade que gosto de usar, mas, na verdade, falo mais comigo do que convosco. Sinto este cantinho como muito meu, mas tenho todo o prazer nas vossas visitas e, especialmente, nas nossas trocas de impressões. E sermos poucos até torna isto mais intimista e acolhedor e por isso mais agradável.
Nem consigo imaginar se tivesse para aqui um monte de gente mal-educada a meter-se na minha vida e a opinar. Acho que as enxotava a pontapé. Vá, a pontapé não, mas à vassourada que é mais meigo.

Porém, este ano concorri ao concurso Blogs do Ano, promovido pela TVI. Honestamente, não sei muito bem porque o fiz. Pensei "já tens uns aninhos nestas andanças de arrotar postas de pescada, vamos lá ver no que isto dá", sem grandes esperanças de chegar onde quer que fosse, pois sei bem quais os critérios de avaliação dos blogues actualmente e, já que não respeito nenhuns, o mais certo seria ficar de fora.

Como tão bem adivinhei, não fui seleccionada para nada... Os assuntos que por aqui falo interessam a uma ínfima minoria, nunca atingindo as massas. Não tenho uma vida idílica, uns filhos vestidos com fatinhos feitos por medida com ar de betinhos, não passo férias em resorts de luxo, nem vou às festinhas das mamãs babadas. Realmente, tenho uma vidinha bem desinteressante como a maioria dos portugueses...
Porque raio alguém se interessaria pela minha conversa? Ainda mais quando ela é tão monótona que mostra tantas vezes os lados mais negros e chatos da vida?
Não há cá espaço para as pessoas sonharem ou se apoderarem da minha vida ou até para se misturam comigo (como acontece com os blogues das figuras públicas); não ofereço prendinhas, nem empreendo concursos em que tenham de gostar da minha página de Facebook em troca de um sabonete; ou sequer faço campeonatos de larachas que contribuam para aumentar a minha auto-estima. Resumindo, sou desconhecida, desinteressante, sem grande piada e não ofereço nada a ninguém. Pronto, estou out, como diria um qualquer fashion blog.

Apesar da minha insignificância, sinto-me francamente agradecida, porque tenho a liberdade, que aqueles que se fundem com marcas ou respeitam estereótipos não têm (se eles saírem do rumo que tomaram são apedrejados e eu posso andar para aqui aos ziguezagues que ninguém me liga nenhuma. Eh eh eh!); tenho a ler este blogue quem realmente se interessa por aquilo que escrevo e os blogues cuchi-cuchi têm a maralha toda mal-educada e metediça. Eu não tenho por cá nem os gulosos das prendinhas nem as sanguessugas de personalidades e eles têm de levar com eles a chuparem-lhes o sangue.

Ok, não tenho dinheiro a partir daqui, mas como sempre dei mais valor à liberdade do que ao dinheiro, estou feliz assim.

Enfim, sou pobrezinha mas livre.

Obrigada aos poucos, mas bons, que me vão aturando! Prontos para os próximos cinco anos???

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Hello?? Está aí alguém? Hello????


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Oh pá, querem ver que fugiram todos?!

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