Avançar para o conteúdo principal

Brad e Angelina ou Pitt e Jolie. Enfim, o que quiserem

DAQUI

Confesso que o título e a imagem são armadilhas para atrair o monte de voyeurs que segue a saga do divórcio dos dois actores americanos para este meu bloguezinho solitário. Sim, gosto de utilizar estas técnica manhosas para falar de assuntos sérios a pessoas que só se interessam por coscuvilhar a vida alheia. Sim, sou manhosa que me farto!

De escudo em punho para me proteger das pedras que me queiram atirar, digo-vos que o caso Brad e Angelina ou Pitt e Jolie, ou até "Bradjelina", como preferirem, não me interessa minimamente enquanto conto de fadas destruído. Sim, eles são lindos de morrer, e tal, e tal, e tal, mas se me deu para reflectir sobre este assunto não foi só para atrair os amigos voyeurs (pois... sou uma "intelectualoide" de categoria que raciocina até sobre temas mundanos e sem interesse nenhum, pintando-os de outras cores para falar de coscuvilhices sem descer ao nível dos coscuvilheiros), mas essencialmente para me focar na reacção das pessoas aos casos de divórcio, violência doméstica (sobre o par e sobre os filhos) e sobre o fim das relações amorosas em geral.
(Viram, como tornei este assunto sensaborão num assunto sério e interessante?!)

Ups, acabei de me desviar de uma pedrinha que me acertou em cheio no escudo romano que seguro firmemente!

Não sei se o que motivou o divórcio daqueles dois foi a violência sobre os filhos, ou sobre um dos dois; se foi a dependência do álcool; se foi um caso extra-conjugal; ou se foi o mau-feitio da Angelia ou do Brad. Na verdade, nem me interessa.

O que me interessa não é a parte dos pormenores sórdidos da relação. Se ele lhe deu um murro ou se ela lhe atirou com uma garrafa à cabeça; se ele se embebeda com uísque ou com cervejinhas geladas; ou se ele obriga os putos a fazer os T.P.C  à lei da porrada; ou até se ele ou ela dormiram com outros... São assuntos que não me dizem respeito. Não tenho nada a ver com isso. Eles lá saberão e só a eles diz respeito.

O que acho interessante nesta fantochada mediática é a reacção do público a este caso de divórcio, como também já tinha vindo a acontecer em versão nacional, o famoso caso Carrilho / Guimarães.

Acho incrível a forma como as mulheres atacam as mulheres que vivem estas situações conturbadas de divórcio. Ora, que a dita intenta divorciada era uma galdéria; ora que o coitado do moço, tão sério, viveu momentos penosos de infidelidade ou sofreu a rodos nas mãos das maluqueiras da bruxa; ora que o coitado só teve um deslize porque se sentia triste e abandonado e que a obrigação dela seria o perdão; e por aí fora... Desculpas mal enjorcadas para culpar as mulheres e perdoar os homens é o que não faltam!

É engraçado ver que os primeiros a julgar as mulheres que se querem divorciar e sair de um suposto "conto de fadas" são as próprias mulheres; que os homens são vistos normalmente como vítimas de uma situação que elas, e só elas, provocaram.

Não venho desculpar as mulheres com a postura feminista de que somos sempre vítimas de discriminação de género. Não somos sempre, somos às vezes.

Nos casos de divórcio tanto as mulheres quanto os homens são culpados. As relações fazem-se a dois e se elas acabam é porque não funcionam pelo menos para um dos lados. A velha máxima "quando um não quer, dois não fazem" parece-me que faz todo o sentido aqui.

Claro que se há qualquer forma de violência (e incluo a psicológica geralmente tão desprezada), ou seja, de crime, deve ser julgada nas instâncias devidas, em tribunal e por juízes capazes de não misturarem os seus preconceitos e convicções pessoais com a análise transparente dos factos e no julgamento dos agressores / criminosos.

Também tem piada verificar que as mulheres bonitas, como a Angelina e a Bárbara, são normalmente mais atacadas pelas outras mulheres nestes casos relações desfeitas...
Mais uma vez a imagem e a invejazinha recalcada falam mais alto do que a razão e vêem-se, e ouvem-se, mulheres a dizer coisas tão cretinas como "com aquele ar, já era de esperar", "ela sempre andou à caça de outros", ou até as simples, mas não menos cretinas "nunca fui com a cara dela, ele deve ter passado muito com uma mulher daquelas".

Ups, mais uma pedra, desta vez um calhau, que quase me roça a orelha!

Não sou ingénua para não saber que há mulheres que utilizam os crimes de agressão para vencer os casos em tribunal, para conseguir a guarda dos filhos ou até para simplesmente atingirem o ex-parceiro. Há que as há e não são poucas. Mas se usam estes meios é porque podem, e podem porque ainda há muita cabecinha deformada e ainda não chegámos ao estádio em que homens e mulheres são vistos como iguais, em que qualquer um pode mentir, agredir e ser um sacana de merda.

Sim, ainda não somos iguais aos olhos da maior parte das pessoas. Infelizmente!

Mas se as mulheres atacam as mulheres, os homens também atacam as mulheres... E atacam como se fosse obrigação feminina sustentar as relações, equilibrá-las para perdurarem, segurar as pontas, enrolá-las e atar de novo para que não se soltem os laços sagrados do matrimónio. Tretas! Nem o matrimónio é sagrado, nem esta é uma função exclusiva de qualquer uma das partes. "Quando um não quer, dois não fazem!", lembram-se?

Desviei-me!!! Ainda não me acertaram! Eh eh eh! Vai mais uma pedrinha?

Os homens também usam os mesmos argumentos das mulheres para se desculparem, mas muitas vezes vêm com a alegação da carne fraca. Irónico este argumento quando se têm em conta como o sexo forte... Como é isso afinal, hã? Carne fraca, mas sexo forte? Não será uma a antítese do outro?

Enfim, desculpas que se vêem como factos e que se espalham como verdades.

Se a carne das mulheres fraqueja são umas indignas, se a carne dos homens fraqueja, é assim mesmo, coitadinhos que não conseguem conter os impulsos sexuais. É triste ver-me a escrever isto em pleno século XXI, mas infelizmente não lhe posso fugir, esta ideia ainda se encontra entranhada em muita gente. E aparece, se não conscientemente, muitas vezes escondida atrás de outras ideias tidas como "p'rá frentex" e "anti-discriminação".

Já para não falar no impulso agressivo dos homens que segue a mesma linha do impulso sexual...

No entanto, não só os homens são desculpados dos seus actos impulsivos, as mulheres também são desculpadas das artimanhas para ficarem com a guarda total dos filhos, como se a maternidade fosse mais importante do que a paternidade e como se actos tresloucados se desculpassem facilmente se camuflados no "imenso amor de mãe".
Tretas! Se formos sacanas por causas "belas e grandiosas", somos menos sacanas? Não, não somos, não se iludam as mãezinhas! Somos igualmente sacanas e, pior, quando somos sacanas para os pais dos nossos filhos, estamos a ser sobretudo sacanas para os nossos filhos.
Onde põem agora o "imenso amor de mãe" que tudo justifica?

Eh pá, esse calhau não, que me mataria aqui num instante!!!

Voltando ao Brad e à Angelina (que os voyeurs já estão a ficar aborrecidos), sim, sei dos mexericos que por aí circulam, mas o meu voyeurismo não aponta na direcção deles, mas sim na vossa, amigos!

Hello, I'm watching you! Eh eh eh!




Pronto, já tenho dois galos na cabeça! Contentes?



Mensagens populares deste blogue

O meu pai

Lembro-me de, aos 15 anos, ter amigos com pais com idades entre os 50/60 anos. Olhava para eles e pensava "fogo, os pais deles são tão velhos".
O meu pai tinha 36 anos quando eu tinha 15 e os dos meus amigos tinham idades próximas da dele agora. O meu pai descobriu esta coisa da parentalidade aos 21. Quando fiz 21, ele só tinha 41, quase 42.

Hoje, faz 62 anos e sou eu que tenho 41. A diferença de idades continua a mesma, mas sinto-me mais próxima dele. Mais próxima em idade e mais próxima fisicamente.

Somos diferentes e ao mesmo tempo iguais. Discutimos que nos fartamos, porque adoramos uma boa discussão. Um diz preto e o outro diz branco. Raramente, chegamos ao cinzento, porque somos igualmente casmurros.

O meu pai esteve longe muito tempo. Tempo demais. Até nas razões do que nos distanciou discordamos. Porém, concordamos que devíamos ter estado sempre mais perto.

Em pequena, era incapaz de lhe perdoar a distância. Aceitava-a simplesmente, mas com uma mágoa maior do que eu.

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…

Método científico

A propósito do vídeo abaixo que vi no Facebook, lembrei-me de vos contar duas ou três situações que aconteceram comigo na minha última ida ao Amoreiras, relacionadas com o nível de educação a que lá costumo assistir.


Antes, faço uma pequena introdução para que melhor entendam onde quero chegar.
Costumo ir ao cinema a centros comerciais, pois, além de já quase não haver cinemas só cinemas, vou atrás do filme que me apetece ver e, por isso, não tenho um sítio fixo e ando quase aleatoriamente por esses antros de consumo, Lisboa fora, no encalço do lugar mais barato para ver determinado filme. Restam-me, por vezes, locais não tão baratos, mas que são os únicos onde o filme passa ou são os que têm o horário que me dá mais jeito.


No domingo passado, calhou ir ao Amoreiras. Já lá tínhamos ido noutras ocasiões e, confesso-vos, não é um dos locais que goste especialmente de ir ou estar. Aquilo é muito mal frequentado. Dá a ideia que é um local que atrai gente mal educada...
Quem conhece este centr…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…