Avançar para o conteúdo principal

Excursão aos terrores escondidos

Para viajar por dentro e reviver terrores, basta um clique. Ir de encontro aos dias em que a nossa vida se pendurava por um fio, em que vida dos nossos se segurava em suspenso. Pode estar nas paredes de edifícios, em caras de gente, em cheiros.
Vira-nos do avesso o aroma a terra molhada, o vento na cara, ou a relva cortada de fresco. Os sons, os percursos, as palavras abrem feridas e doem.
Excursionamos nos medos que nos levam aos terrores, como se lá morássemos ainda. E moramos. Vivemos em batalha com as nossas aflições. Mas tentamos enganá-las a maior parte do tempo. E só nos enganamos a nós próprios, porque elas estão lá, cravadas bem no fundo. À mínima corrente de ar, soltam-se e provocam-nos tempestades na alma. 
E os dias voltam a ser curtos ou longos demais. A medida certa não se revela e ficamos à espera que a tempestade termine. Eternamente.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Pintas

Estudei Gestão Equina numa terra no centro de Portugal.
A escola dividia-se entre uma antiga escola, no centro da aldeia, convertida em internato masculino e salas de aulas e uma herdade a uns setecentos ou oitocentos metros já quase fora da localidade.
Os alunos tinham aulas ora na escola, ora na herdade e seguiam geralmente a pé de um lado para o outro.
Um dia, o Pintas apareceu por lá (já não me lembro bem onde o encontrámos pela primeira vez), um cão talvez arraçado de dálmata, pois era branco com pintas negras.
Deram-lhe o nome de "Pintas", mas havia quem o chamasse de "Beethoven". Na verdade, podiam chamá-lo como quisessem que o cão reconhecia quando a conversa era com ele.
O Pintas fazia o caminho herdade/escola e escola/herdade vezes sem conta. Penso que a intenção era acompanhar os seus amigos preferidos no caminho que separava as duas instalações escolares... Seguia a nosso lado como se fosse mais um aluno. Deixava-nos na herdade e seguia de novo para a …

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos sep…