Avançar para o conteúdo principal

Ainda o Centro...

Há uns anos, numa outra situação de desemprego, também estive inscrita num Centro de Emprego e a situação era completamente diferente. Tratavam-nos bem, tentavam conciliar as nossas opções com o mercado de trabalho, propunham-nos cursos em vez de nos obrigarem a frequentá-los e não havia as maravilhosas apresentações periódicas.

Acredito que muitas das alterações que se têm notado vêm da elevada taxa de desemprego e do número astronómico de pessoas em situações precárias sem fim à vista. Acredito que o factor mais penalizador para os desempregados e para resolução deste problema crescente das sociedades actuais é a falta de empregos generalizada.
Desde a Revolução Industrial que a mão-de-obra tem vindo a ser menos necessária, essencialmente pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aumento da população (muito devido à evolução da medicina e, por conseguinte, ao aumento da esperança média de vida que é coisa boa, mas que, neste caso, torna a população excedente), já para não falar no número de pessoas com menor capacidade de trabalho como os idosos que, como é óbvio, também têm direito a subsistir.

O problema do desemprego não é um problema fácil de resolver, nada fácil mesmo.
Mas será que estas políticas o vão melhorar? Será que a solução, ou pelo menos a diminuição do número de desempregados, não estará mais na valorização da força trabalhadora? Ou até numa solução perto disto?

Não sei. Pergunto-me apenas.

A verdade é que as políticas instituídas em Portugal (e agora vou bater no antigo governo, desculpem-me lá!) tornaram os Centro de Emprego locais onde se têm de cumprir regras ridículas que, para as pessoas que lá trabalham, também não serão fáceis de cumprir e defender, pois são elas que, todos os dias, levam com as queixas e frustração dos desempregados. Na verdade, são elas quem dá a cara por aquilo que alguém, fechadinho na segurança de um qualquer gabinete e longe dos olhares ameaçadores de quem tem de se sujeitar a regras idiotas, determinou este desrespeito por uma classe potencialmente trabalhadora. Não quero com isto desculpar os maus modos de certos funcionários dos Centros, que há alguns indesculpáveis, mas quero sim tentar compreendê-los, porque afinal também eles estão neste barco de possíveis futuros desempregados. E, felizmente, também ainda há excepções e pessoas que resistem a tornarem-se maus fígados ambulantes.

Quero, essencialmente, tentar perceber que caminho é este que se trilha e que nos levará a todos para um não-retorno neste tipo de sociedade em que vivemos.

Se não tivermos trabalho e forma de subsistência, como vamos sobreviver? Haverá uma elevada taxa de mortalidade, devido a situações de pobreza extrema que nivelará a relação quantidade de empregos/quantidade de cidadãos? Teremos que passar por isso para haver trabalho digno para todos?

O pior, e o que mais me atormenta, é que há dinheiro suficiente neste mundo para todos cá cabermos, mas ele está maioritariamente concentrado em práticas que determinam a destruição da espécie humana e do planeta.
Não será altura de tentarmos reverter este processo para preservarmos a nossa própria subsistência enquanto espécie?

No seguimento deste texto.

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…