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Os Vampiros

Imagem DAQUI

Vampirizam momentos, pessoas, monumentos, arte, paisagem. Vampirizam de telefone em riste, sugam tudo até ao último pingo através daquela caixinha de ecrã brilhante que trazem na mão.
Sugam para possuir, sem perceber que só possuem aquilo que vêem, ouvem, entendem. E não vêem, ouvem, entendem aquilo que à bruta tentam subjugar.
Devoram violentamente e destroem antes de sorver o que coleccionam e submetem aos seus egos incompletos e sedentos de provas da própria existência.
Existem tão somente naquilo que extorquem com o clique do obturador. Vampirizam os pais, os filhos, as árvores, as casas, a comida, os amantes. Vampirizam em desespero atroz até à exaustão.

Os vampiros vivem à beira deles próprios e do mundo. O que não fotografam não existe. Morrem na ausência de momentos captados e de se verem reflectidos em imagens. Só mesmo a imagem da estaca que trazem no peito é que os vampiros não captam.

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Estudei Gestão Equina numa terra no centro de Portugal.
A escola dividia-se entre uma antiga escola, no centro da aldeia, convertida em internato masculino e salas de aulas e uma herdade a uns setecentos ou oitocentos metros já quase fora da localidade.
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