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Algures na 2ª circular perdi o meu protector

Fez ontem uma semana que o Gatossoa nos deixou. Se ele não tivesse ido lá para o reino dos gatinhos, estaria agora a tentar deitar-se ao meu colo ou encostado à minha perna.
O Gatossoa não se chamava Gatossoa, mas era o nosso gato. Na verdade, era o meu gato. Ou eu a pessoa dele. Estivesse eu onde estivesse, ele ou estava em cima de mim, ou a olhar para mim.
Desde que aqui chegou, há cerca de 5 anos, que me adoptou. Mais ele a mim do que eu a ele, por mais estranho que isso possa parecer... Velava por mim onde quer que estivesse e olhava-me com olhos de pessoa. Este gato lia-nos as expressões. Ao contrário dos gatos comuns os olhos dele moviam-se de um lado para o outro a ler-nos. Por isso, dizíamos que tinha uma pessoa aprisionada dentro dele e que só era um gato porque a pessoa não se conseguia libertar.
O gato perdeu-se de amores por mim e chegou mesmo a rosnar ao pai do J. quando ele me tocava numa fase que devia corresponder à adolescência dos gatos.
O Gatossoa morreu comigo a conduzir enquanto lhe fazia festas e o levava ao terceiro veterinário do dia na esperança que este o salvasse.
Não chegámos a tempo e algures na 2ª circular eu perdi o meu protector.




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