Avançar para o conteúdo principal

Na corda bamba

Isto de ser trapezista não é fácil. Ter uma corda como chão, que ao mínimo sopro balança de um lado para outro, empoleira-nos a vida em dois centímetros de espessura. 
Pé ante pé, procuramos apoio num fio que nos foge dos dedos e nos rouba o equilíbrio. Entregamo-nos, então, a uma busca interminável e insana para o tentar recuperar.
Se o sopro cresce em ventania, a insanidade envolve-nos num abraço doloroso de onde incansavelmente nos procuramos soltar. Mas sem nos mexermos muito não vá um pé, da corda, escapar.
Isto de ser trapezista é coisa de loucos. Iça-nos no ar e obriga-nos a decidir se tombamos mais para a esquerda, ou mais para a direita, sem sabermos, porém, de que lado está o equilíbrio.
Clama a dúvida: Será que ele se esconde em dar a mão ou deixar ir? 

É que isto de ser trapezista é quase tão difícil quanto ser mãe.

 

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…