Avançar para o conteúdo principal

Estou Mesmo A Ficar Velhota!

Bem me parecia que a Clínica do Avô não estava aqui por acaso. É que esta que vos escreve anda com problemas de memória como os mais velhotes. Ou melhor, não é bem como os mais velhotes, porque, segundo me parece, eles lembram-se melhor do passado mais remoto do que do mais recente. Eu sou o contrário. Lembro-me com relativa clareza de coisinhas sem importância que tenham acontecido há... minutos, mas já não me lembro bem se este planeta é a Terra ou Marte. 
É que a humanidade apareceu por aqui há já muito tempo.

Não é que no post anterior troquei a Terra por Marte?
Chegou aqui o pai do J. a dizer "o quê? Marte? Não era isso que eu dizia, era Terra!". 
Ups!
Respondi-lhe que realmente não me suava bem Marte, mas que me tinha saído assim e acabei por deixar ficar.
"Desculpa lá, mas vais ter que mudar isso! Não tem lógica nenhuma ser Marte. Quem é que anda a chamar um bebé de Marte e para Marte? Nós estamos é na Terra!" 

Dei a mão à palmatória e mudei, um bocado contra vontade. 
Podem ir lá ver que o bebé, afinal, era chamado para a Terra. 

Se soubéssemos o que sabemos hoje, provavelmente tê-lo-íamos chamado mas era mesmo para Marte que se deve estar lá bem melhor do que aqui! Digo eu que gosto pouco de dar a mão à palmatória!

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos separar c…