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Enamoramento Atécnico

Ando a aprender a técnica da escrita. Ou a tentar aprender. 
Sinto que à medida que o véu que cobre, e enche de magia esta arte de juntar palavras que as repleta de sapiência, se vai levantando, algum do encanto da leitura se vai perdendo. E algum do encanto da escrita também se some com a incapacidade de ler apaixonadamente. 
O que dantes fluía solto, fica agora aprisionado em vírgulas, semântica, forma e construção de géneros narrativos. 
E eu fico a sentir-me amordaçada, e desanimada, e desencantada. E a apetecer-me esquecer tudo o que vou aprendendo e deixar-me escorrer na leitura e na escrita amadora, puramente amadora e, por isso, ainda puramente enamorada.

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Se há cerca de vinte, trinta anos, não se sabia tanto quanto se sabe hoje sobre pedagogia, psicologia ou educação, actualmente este conhecimento é muito mais vasto. Tão vasto que tendemos a instrumentalizar a forma como educamos as nossas crianças.

Olhamos para os nosso filhos e vemo-los como projectos pessoais. Queremos que sejam os melhores e sempre melhores que eles próprios, que estejam sempre a evoluir para que sejam bem sucedidos na vida. É normal, porque independentemente das nossas crenças, queremos o melhor para eles, porque os amamos. Mas esta forma de amar e de os tentar conduzir para o sucesso está a matar-lhes a infância. 
Não são poucas as vezes que ouvimos coisas do género:  "Quero que o Rui seja um óptimo engenheiro";  "Estou a fazer tudo para que a Ana seja a melhor professora que já leccionou";  "O que mais quero é que o André vença no mundo do trabalho como o melhor designer gráfico".
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