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Correr é...

...Uma merda!

Que me desculpem os apologistas da corrida (inclusive o pai do J.), mas correr sucks! Eh pá, não gosto! Eu esforço-me, e estampo um sorriso nos lábios, e digo a mim mesma que depois dos quinze minutos é que é, é que me vou sentir super bem, e livre, e essas cenas todas que vocês, amantes da corrida, sentem. 
Mas aos quinze minutos não acontece nada e a vontade de parar de correr é cada vez maior, e grito-me (para não ter a desculpa de que não ouvi) que afinal não é aos quinze, mas aos vinte minutos que a magia acontece. Mas a magia não acontece, que eu tenho o mágico avariado, e aos vinte e cinco minutos de tortura ainda estou a pôr a cenoura à frente do burro (ou da burra) com a treta que aos trinta é que é. 
E corro trinta, a trinta e cinco, minutos a enganar-me de que aquilo é bom, e faz bem, e que já estou mais magra, e que correr é uma sensação de liberdade e de superação, e que basta eu deixar de resistir e deixar-me ir que começo a aproveitar o momento e a magia a acontecer. 
Durante trinta e cinco minutos, ecoa na minha cabeça a frase do meu filho "mesmo que estejas a morrer, não pares!". Obedeço em sofrimento até chegar o fim do tempo estipulado (ou a burra zangar-se e comer a cenoura duma dentada só).

Mal paro, voilà, a magia acontece e sinto a tal sensação de liberdade percorrer-me o corpo todo ao mesmo tempo que me diz:

Finalmente parei de correr, porra!

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