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O Processo das Coisas

Hoje, estou um caco. Gostava de poder ficar nesta "caquice", mas não posso. Seria muito feliz se pudesse enfiar a cabeça na areia e ficar por lá a ter pena de mim. Mas, infelizmente, isso não é possível.
Tenho que ser capaz de engolir as críticas, processar os pontos a melhorar e crescer mais um bocadinho nisto que é "escrevinhar cenas". 

Custa-me muito isto de dar mais de mim às coisas. Dou às pessoas, mas às coisas ainda não me habituei. É mais confortável agarrar-me à ideia de que gosto de muitas coisas e se alguma delas exigir um bocadinho mais de mim, virar-me para outra até ela se tornar tão exigente que tenho de me virar para ainda outra. E outra, e outras, até já não haver mais coisas para onde fugir.

Esta maneira de ser é muito cómoda, porque além de não chegar nunca nem perto dos meus limites, em nada, posso dizer que sou uma pessoa com variados interesses, o que fica sempre bem.

"Oh, tem uma cultura geral imensa!" Chique, não é?

"E desenvolver os assuntos, sabe?" Pois...

Acreditar que isto faz tudo parte de um processo ajuda. Ajuda muito, na realidade. Foi agarrada a esta crença que me atirei a escrever hoje. Já escrevi imenso. Nada de que goste é certo, mas imenso. Até este texto já me mete nojo e apetece-me apagá-lo. Não o vou fazer. Estou neste masoquismo terapêutico que não posso abandonar ou corro o risco de me encontrar enfiada no buraco à procura de qualquer outra coisa extremamente interessante a que me agarrar e a chorar a tristeza de ser péssima a escrever.

Vale-me o logro do processo.

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