Avançar para o conteúdo principal

Da Nostalgia À Aflição

Estava o meu homem a pôr gasolina no nosso modesto automóvel, quando olho para o lado e vejo o condutor de um BMW a pôr qualquer coisa no carro que não percebi se era gasolina ou "gasóile" e, lembrei-me do Telmo. Sim, do Telmo do Big Brother.
Lembrei-me do Telmo porque o homem do BMW era parecido com ele. O mesmo corte de cabelo, vestido com um fato-de-treino tipo Telmo e condutor de um BMW que o Telmo, com certeza, também gostaria de conduzir. Digo eu!
Pensei "o que terá acontecido ao Telmo e aos outros do Big Brother?" Pensei isto com uma espécie de nostalgia. "Oh, o que lhes terá acontecido?"
Fiquei meia assustada por "nostalgiar" aquela gente, mas se há algo que justifique esta nostalgia que senti por gente que não me diz nada enquanto pessoas, eu tinha-a. Não que gostasse deles, que não gostava, mas ainda os conseguia ver na televisão mais de... de... um segundo. A estes da Casa dos Segredos não consigo. E confesso que já tentei. Devo ter uma costeleta virada para a sociologia, porque me dá um certo prazer tentar avaliar estes fenómenos sociais. Claro que não tenho conhecimentos científicos para os aprofundar, mas gosto de os observar e tirar as minhas conclusões com a objectividade que me é possível.
Comecei a pensar na evolução dos reality shows e em como estes concorrentes que os integra mudou. O Telmo, o Zé Maria, a Sónia e até o Marco eram genuínos e estes não são. São fabricados sob todos os aspectos e são de muito pior qualidade. Infelizmente, não os consigo estudar com mais minúcia para poder estabelecer uma melhor comparação, pois não aguento ver o programa nem um minuto. Sempre que passo pelo canal e eles estão lá, a "refilice" é tão grande e aos berros que não aguento a pressão e mudo de canal. No entanto, às vezes, vejo-os nas capas das revistas cor-de-rosa e parecem-me tão artificiais que me chega a afligir. E eu não sou pessoa que se aflija com facilidade, mas a artificialidade é coisa para me constranger.

Depois, na minha dissertação sociológica privada, atrevi-me a fazer um paralelismo entre as criaturas dos Segredos e a sociedade em que vivemos e fui arrebatada por uma tristeza profunda. Constatei que os Telmos, os Marcos e os Zés Marias foram engolidos por esta gente estranha. E não me venham dizer que só há este tipo de pessoas no programa, porque as audiências são grandes e vendem-se milhares de revistas e jornais que alimentam polémicas criadas por estes concorrentes. Já para não falar nas intrigas à volta das figuras públicas que movem milhões de euros e entretêm populações inteiras.
Esta preocupação com a vida alheia e a facilidade com que se fabricam pessoas à escala daquilo que se pretende vender assusta-me, aflige-me e constrange-me. E eu não sou pessoa que facilmente se assuste, aflija ou constranja.

Volta Telmo que estás perdoado!

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…