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Blogue, Para Que Te Quero?

De vez em quando, o J. lê este blogue. Diz que um dia quer lê-lo todo, de uma ponta à outra. Hoje, leu o último post, aquele ali em baixo, e gostou.

Na verdade, o homem da mosca é um bocadinho obra dele também. Temos por hábito escolher personagens para as minhas histórias. Diz-me "mãe, tens de escrever sobre esta pessoa", aponta-me características a explorar na ficção e inventamos em conjunto outras coisas sobre ela.

Leu mais do que o último post. Foi andando para trás e descobrindo o que fui escrevendo sobre ele. Saltou os últimos parágrafos do Pai Natal "porque é feio e não consegui ficar a olhar para a cara dele", explicou. 
Quando chegou aos Pedaços de amor que se exilam ralhou-me "não devias ter escrito aquilo. Eu pedi-te...". Ao que lhe respondi que também acho as coisas menos boas importantes. Confessou-me que não leu este post todo porque não quis lembrar aquilo que o fez sofrer na altura.

"Quanto tempo achas que vou demorar a ler o blogue todo?", perguntou. "Não muito tempo, descansa", sosseguei-o, "são quase quatro anos de blogue, mas não tem muito para ler".

Sei que podia não lhe contar o que escrevo e até impedir que lesse o que vou dizendo sobre ele, podia esconder-lhe alguns textos ou mentir sobre o seu conteúdo. Mas não quero isso, o blogue é meu, mas é dele também. Até é mais dele do que meu. É ele que aqui está, sob os meus olhos, mas não deixa de ser ele.

Quero que este blogue seja uma carta de mãe para filho e que sirva para, mais tarde quando eu já não estiver e ele precisar, poder vir aqui sentar-se ao meu colo e ouvir as minhas palavras de conforto. Quero que possa rever as alegrias, mas também as angústias, que a maternidade me ofereceu; quero que sinta que me pode encontrar sempre neste cantinho da blogosfera e que aqui terá sempre os meus braços, e coração, abertos para ele; quero que saiba que o meu carinho fica cá guardado para as emergências e que, neste lugar, o meu amor será sempre só dele e imenso como se diz que só é o amor das mães.

Mensagens populares deste blogue

Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
Ele afasta a cadeira para ela se sentar num gesto que reproduz o cavalheirismo dos filmes românticos de Hollywood. Ela senta-se com olhar meloso, encarnando a personagem feminina da trama, e ajeita a saia que lhe aperta as formas agora mais arredondadas.

Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
O gesto automático tira o telemóvel do bolso da camisa dele que só acaba quando o objecto é pousado sobre a mesa. Está ansioso, mas não quer lhe notem a inquietação. Afinal, é só mais um dia dos namorados.

A voz sai-lhe tão melosa quanto o olhar que ela lhe dirige:
- Estás linda! - semicerra os olhos como que a comprovar a veracidade das suas palavras.
Aponta-lhe a objectiva …

Tenho uma tatuagem no meio do peito

Ontem, no elevador, olhei ao espelho o meu peito que espreitava pelo decote em bico da camisola, e vi-a. "Tenho uma tatuagem no meio do peito", pensei. Geralmente, não a vejo. Faz parte de mim, há dez anos, aquele pontinho meio azulado. Já quase invisível aos meus olhos, pelo contrário, ontem, olhei-a com atenção, porque o tempo já me separa do dia em que ma fizeram e me deixa olhá-la sem ressentimentos. À tatuagem como à cicatriz que trago no pescoço.

A cicatriz foi para tirar o gânglio que confirmou o linfoma. Lembro-me do médico me dizer "vamos fazer uma cicatriz bonitinha. Ainda é nova e vamos conseguir escondê-la na dobra do pescoço. Vai ver que quase não se vai notar". Naquela altura pouco me importava se se ia notar. Entreguei o meu corpo aos médicos como o entrego ao meu homem quando fazemos amor.
"Façam o que quiserem desde que me mantenham viva", pensava. "Cortem e cosam à vontade! Que interessa a estética de um corpo se ele está a morrer?!…

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Parabéns ao Blogue!

Este blogue fez dois anos, no sábado passado, mas, para variar, esqueci-me.  Bad girl, bad bad girl!
Parabéns atrasados a ele e a mim (que sou uma atrasada nestas coisas, e noutras...).