Avançar para o conteúdo principal

A Minha "Explicação dos Pássaros"

Hoje, vou explicar-vos um pássaro que pousou neste blogue. Este:

Clínica do Avô

Já devem ter reparado que não sou mulher de publicidades.
Neste blogue nunca aconteceram passatempos. "Ponha like aqui, ali e acolá que ofereço uns chinelos muita giros" não é a minha especialidade. "Olhem aqui que giro este produto espectacular que acabei de comprar e adoro" não acontece por cá amiúde. "Comprei a saia xpto na Zara, Mango ou feira de Carcavelos" também não faz o meu género. Etc, etc, etc...
Nunca houve nada disso por aqui, e não houve, porque nunca foi do meu interesse fazer deste blogue "o intervalo grande da telenovela em horário nobre".
Este blogue, da categoria que acarreta, só poderia ser a própria telenovela e nunca um mero intervalo por muito grande que este fosse.
Visto não ter conseguido concretizar a cena da telenovela, vamos mas é ao que interessa.

Como já devem ter reparado, tenho ali ao lado uma imagem da Clínica do Avô (por baixo da das Mães Portuguesas a que pertenço como cronista). Ah e tal isso é publicidade...
Pois é. E porque é que decidi alojar (salvo seja) a Clínica do Avô no meu blogue tão limpinho de publicidade?
Porque acredito que o serviço que prestam é um dos mais importantes para esta sociedade envelhecida que, apesar de envelhecida, não pensa nos seus idosos, nem os considera enquanto pessoas íntegras e autónomas. Mas, também, porque se há coisa que quero manter na minha velhice (se algum dia lá chegar) é a liberdade. E a Clínica do Avô, ao contrário de alguns organismos do Estado que, infelizmente, funcionam deficientemente - por motivos que não vou explanar neste post, mas que dará um outro muito extenso - fornece serviços ao domicílio que promovem essa liberdade e autonomia que tanto preservo, evitando, assim, que as pessoas de mais idade tenham de sair da própria casa e ir viver para lares se quiserem usufruir dos cuidados básicos que protegem as suas integridades física e psicológica.

Por isso, aviso que se vos aparecer por aqui mais alguma imagem que vos pareça estranha será de coisas em que acredito e não porque a marca x ou y me vai oferecer um champô, um creme para a cara ou umas cuecas.

Já viagens à volta do mundo, uma casa à beira-mar ou rios de dinheiro a escorrer para a minha conta estou aberta a ofertas.
O meu e-mail está ali mesmo por cima das imagens. Conseguem vê-lo?

Mensagens populares deste blogue

O meu pai

Lembro-me de, aos 15 anos, ter amigos com pais com idades entre os 50/60 anos. Olhava para eles e pensava "fogo, os pais deles são tão velhos".
O meu pai tinha 36 anos quando eu tinha 15 e os dos meus amigos tinham idades próximas da dele agora. O meu pai descobriu esta coisa da parentalidade aos 21. Quando fiz 21, ele só tinha 41, quase 42.

Hoje, faz 62 anos e sou eu que tenho 41. A diferença de idades continua a mesma, mas sinto-me mais próxima dele. Mais próxima em idade e mais próxima fisicamente.

Somos diferentes e ao mesmo tempo iguais. Discutimos que nos fartamos, porque adoramos uma boa discussão. Um diz preto e o outro diz branco. Raramente, chegamos ao cinzento, porque somos igualmente casmurros.

O meu pai esteve longe muito tempo. Tempo demais. Até nas razões do que nos distanciou discordamos. Porém, concordamos que devíamos ter estado sempre mais perto.

Em pequena, era incapaz de lhe perdoar a distância. Aceitava-a simplesmente, mas com uma mágoa maior do que eu.

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…

Método científico

A propósito do vídeo abaixo que vi no Facebook, lembrei-me de vos contar duas ou três situações que aconteceram comigo na minha última ida ao Amoreiras, relacionadas com o nível de educação a que lá costumo assistir.


Antes, faço uma pequena introdução para que melhor entendam onde quero chegar.
Costumo ir ao cinema a centros comerciais, pois, além de já quase não haver cinemas só cinemas, vou atrás do filme que me apetece ver e, por isso, não tenho um sítio fixo e ando quase aleatoriamente por esses antros de consumo, Lisboa fora, no encalço do lugar mais barato para ver determinado filme. Restam-me, por vezes, locais não tão baratos, mas que são os únicos onde o filme passa ou são os que têm o horário que me dá mais jeito.


No domingo passado, calhou ir ao Amoreiras. Já lá tínhamos ido noutras ocasiões e, confesso-vos, não é um dos locais que goste especialmente de ir ou estar. Aquilo é muito mal frequentado. Dá a ideia que é um local que atrai gente mal educada...
Quem conhece este centr…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…