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A Minha "Explicação dos Pássaros"

Hoje, vou explicar-vos um pássaro que pousou neste blogue. Este:

Clínica do Avô

Já devem ter reparado que não sou mulher de publicidades.
Neste blogue nunca aconteceram passatempos. "Ponha like aqui, ali e acolá que ofereço uns chinelos muita giros" não é a minha especialidade. "Olhem aqui que giro este produto espectacular que acabei de comprar e adoro" não acontece por cá amiúde. "Comprei a saia xpto na Zara, Mango ou feira de Carcavelos" também não faz o meu género. Etc, etc, etc...
Nunca houve nada disso por aqui, e não houve, porque nunca foi do meu interesse fazer deste blogue "o intervalo grande da telenovela em horário nobre".
Este blogue, da categoria que acarreta, só poderia ser a própria telenovela e nunca um mero intervalo por muito grande que este fosse.
Visto não ter conseguido concretizar a cena da telenovela, vamos mas é ao que interessa.

Como já devem ter reparado, tenho ali ao lado uma imagem da Clínica do Avô (por baixo da das Mães Portuguesas a que pertenço como cronista). Ah e tal isso é publicidade...
Pois é. E porque é que decidi alojar (salvo seja) a Clínica do Avô no meu blogue tão limpinho de publicidade?
Porque acredito que o serviço que prestam é um dos mais importantes para esta sociedade envelhecida que, apesar de envelhecida, não pensa nos seus idosos, nem os considera enquanto pessoas íntegras e autónomas. Mas, também, porque se há coisa que quero manter na minha velhice (se algum dia lá chegar) é a liberdade. E a Clínica do Avô, ao contrário de alguns organismos do Estado que, infelizmente, funcionam deficientemente - por motivos que não vou explanar neste post, mas que dará um outro muito extenso - fornece serviços ao domicílio que promovem essa liberdade e autonomia que tanto preservo, evitando, assim, que as pessoas de mais idade tenham de sair da própria casa e ir viver para lares se quiserem usufruir dos cuidados básicos que protegem as suas integridades física e psicológica.

Por isso, aviso que se vos aparecer por aqui mais alguma imagem que vos pareça estranha será de coisas em que acredito e não porque a marca x ou y me vai oferecer um champô, um creme para a cara ou umas cuecas.

Já viagens à volta do mundo, uma casa à beira-mar ou rios de dinheiro a escorrer para a minha conta estou aberta a ofertas.
O meu e-mail está ali mesmo por cima das imagens. Conseguem vê-lo?

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…