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Um Pavor de Pai Natal

O J. que nunca gostou de Pais Natal foge cada vez que encontra um nos Centros Comerciais.
Hoje, quando andávamos às compras, rezando para que não encontrássemos nenhum à esquina, pergunta-me:
- Alguma vez me tentaste obrigar a sentar ao colo de um Pai Natal?
- Não, claro que não. Ainda mais eu que sempre tive medo de palhaços e te compreendo tão bem por não gostares de Pais Natal.
- A sério? Sempre tiveste medo de palhaços? - pergunta, sentindo o seu medo menos solitário.
- Sim, sempre tive medo de palhaços e mascarados. Fazia-me impressão não  lhes conseguir ver as expressões faciais.
- Mas houve uma vez que te mascaraste de palhaço...
- Sim, mas isso já foi mais tarde. Além disso, não tinha medo de mim, como é lógico.
- E o pai? Tentou sentar-me ao colo de algum Pai Natal?
- Não, que me lembre, não. Mas o pai não te ia fazer isso... Nenhum de nós te ia obrigar a sentar ao colo do Pai Natal. Podíamos ter perguntado se querias, mas obrigar-te não, de certeza. Porque perguntas isso?
- Não sei... Porque não gosto deles.
- É um mal genético. Sais a mim. Pelo menos sais a mim em alguma coisa...

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…