Avançar para o conteúdo principal

Pílula da Estupidez

Detesto ideias preconcebidas e generalizações.
Ou é para me irritar ou não sei porque raio de carga de água é que é o que mais há por aí.
Gente que pensa que, lá porque dois ou três cromos passaram a professar umas teorias da treta como se fossem religião, tudo o que não seja dito pelos cromos é pura alucinação, e que tem sempre pronta uma pílula de uma ideia qualquer que está na moda e de que toda a gente já ouviu falar milhentas vezes, deixa-me para lá de enervada. Dá-me vontade de lhes enfiar a própria pílula pelas goelas abaixo e perguntar "então, estás muito mudado? A pílula fez-te melhorar alguma coisinha? Népia, pá, continuas o mesmo otário!".
Dá-me a impressão que ando rodeada de papagaios que papagueiam todas as patacoadas que lhes impingem.
Ei, pessoal, e usar a cabecinha, hã? E deixar de engolir toda e qualquer informação como se fossem verdades universais sem sequer as processarem?
O cérebro está lá para alguma coisa, não serve só para memorizar, também se pode usar para destrinçar aquilo que é verdadeiro daquilo que é falso; Para separar o trigo do joio; Para deitar fora aquilo que não presta e reter o que interessa; Para descobrir os diamantes no meio da areia.

Fiz-me entender ou querem que faça um desenho? Hã?

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos separar c…