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Tostões

Gente que se vende a tostões. Venda por venda que se peça um valor alto pela alma. Agora tostões?! Já nem valem nada, os tostões... Já nem existem, mas há, ainda, quem troque convicções por eles.

Estranho...

Quão voláteis serão as convicções? E que farão aos tostões? Serão poucos e não haverá muito que se possa fazer com tamanha escassez. A não ser guardá-los. Ou utilizá-los como peça decorativa. Ou recordação do que em tempos se acreditou e se acabou por vender.

A tostões.

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A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
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