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Para o Lado Que Estamos Virados

Durante o jantar.
- Os meus colegas acham preocupante haver gente que não conhece a Miley Cyrus.
- Acham? Porquê?
- Não faço ideia. Eu acho preocupante é haver colegas meus que não sabem quem é o ministro da educação!
- Quem não sabe quem é a Miley Cyrus? Tu?
- Não, o V. Achas preocupante?
- Não. Ele pode não estar interessado nesse tipo de música e não estar atento. Não acho mesmo nada preocupante.
- Eu também não. Mas não saberem quem é o chato do ministro da educação já me preocupa!
- Preocupa?
- Sim. Aposto que nenhum deles sabe.
- Oh, deve haver quem conheça. O J.T. por exemplo.
- Não, acho que não!
- Mas ele sabe muitas coisas... Pode saber o nome do ministro.
- Não, o J.T. só sabe coisas alegres. Não está virado para essas coisas más! Devo ser o único que conheço o Crato.
- Hummm... E tu não estás virado para essas coisas alegres?
- Não. Quando nos viramos para as coisas más, já não há volta!
- Não há volta? Se calhar a culpa é minha de estares virado para coisas más... É? Não queria nada virar-te para coisas más...
- Não sei, mas estares sempre a ver essas coisas da Legionella pode ser uma razão.
- Glup!
- Há colegas meus que têm imenso medo do Ébola. Acham que há Ébola em todo o lado.
- Hum. Mas não há. Eu nem tenho estado nada atenta ao Ébola.
- Pois... Mas os pais deles devem estar. Tu estás atenta à Legionella.
- Glup!

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Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
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Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
O gesto automático tira o telemóvel do bolso da camisa dele que só acaba quando o objecto é pousado sobre a mesa. Está ansioso, mas não quer lhe notem a inquietação. Afinal, é só mais um dia dos namorados.

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Aponta-lhe a objectiva …

Macacos do Nariz

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Mas o voo não é interminável e temos que pousar. Pousar para reabastecer, pousar para descansar e para voltar a voar... de novo... uma vez mais...
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Se a paixão nos faz voar, o amor faz-nos pousar.