Avançar para o conteúdo principal

Para o Lado Que Estamos Virados

Durante o jantar.
- Os meus colegas acham preocupante haver gente que não conhece a Miley Cyrus.
- Acham? Porquê?
- Não faço ideia. Eu acho preocupante é haver colegas meus que não sabem quem é o ministro da educação!
- Quem não sabe quem é a Miley Cyrus? Tu?
- Não, o V. Achas preocupante?
- Não. Ele pode não estar interessado nesse tipo de música e não estar atento. Não acho mesmo nada preocupante.
- Eu também não. Mas não saberem quem é o chato do ministro da educação já me preocupa!
- Preocupa?
- Sim. Aposto que nenhum deles sabe.
- Oh, deve haver quem conheça. O J.T. por exemplo.
- Não, acho que não!
- Mas ele sabe muitas coisas... Pode saber o nome do ministro.
- Não, o J.T. só sabe coisas alegres. Não está virado para essas coisas más! Devo ser o único que conheço o Crato.
- Hummm... E tu não estás virado para essas coisas alegres?
- Não. Quando nos viramos para as coisas más, já não há volta!
- Não há volta? Se calhar a culpa é minha de estares virado para coisas más... É? Não queria nada virar-te para coisas más...
- Não sei, mas estares sempre a ver essas coisas da Legionella pode ser uma razão.
- Glup!
- Há colegas meus que têm imenso medo do Ébola. Acham que há Ébola em todo o lado.
- Hum. Mas não há. Eu nem tenho estado nada atenta ao Ébola.
- Pois... Mas os pais deles devem estar. Tu estás atenta à Legionella.
- Glup!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Pintas

Estudei Gestão Equina numa terra no centro de Portugal.
A escola dividia-se entre uma antiga escola, no centro da aldeia, convertida em internato masculino e salas de aulas e uma herdade a uns setecentos ou oitocentos metros já quase fora da localidade.
Os alunos tinham aulas ora na escola, ora na herdade e seguiam geralmente a pé de um lado para o outro.
Um dia, o Pintas apareceu por lá (já não me lembro bem onde o encontrámos pela primeira vez), um cão talvez arraçado de dálmata, pois era branco com pintas negras.
Deram-lhe o nome de "Pintas", mas havia quem o chamasse de "Beethoven". Na verdade, podiam chamá-lo como quisessem que o cão reconhecia quando a conversa era com ele.
O Pintas fazia o caminho herdade/escola e escola/herdade vezes sem conta. Penso que a intenção era acompanhar os seus amigos preferidos no caminho que separava as duas instalações escolares... Seguia a nosso lado como se fosse mais um aluno. Deixava-nos na herdade e seguia de novo para a …

Estamos a matar a infância das nossas crianças!

Se há cerca de vinte, trinta anos, não se sabia tanto quanto se sabe hoje sobre pedagogia, psicologia ou educação, actualmente este conhecimento é muito mais vasto. Tão vasto que tendemos a instrumentalizar a forma como educamos as nossas crianças.

Olhamos para os nosso filhos e vemo-los como projectos pessoais. Queremos que sejam os melhores e sempre melhores que eles próprios, que estejam sempre a evoluir para que sejam bem sucedidos na vida. É normal, porque independentemente das nossas crenças, queremos o melhor para eles, porque os amamos. Mas esta forma de amar e de os tentar conduzir para o sucesso está a matar-lhes a infância. 
Não são poucas as vezes que ouvimos coisas do género:  "Quero que o Rui seja um óptimo engenheiro";  "Estou a fazer tudo para que a Ana seja a melhor professora que já leccionou";  "O que mais quero é que o André vença no mundo do trabalho como o melhor designer gráfico".
Também dizemos que A ou B tem que frequentar determi…