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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2014

Por Isto E Por Muito Mais

Li este post do João Miguel Tavares e aviso já a quem interessar que não faço quaisquer trabalhos manuais com o meu filho!
Primeiro, porque sou contra os pais fazerem os TPC dos/com os filhos; segundo, porque não gosto de trabalhos manuais; terceiro, porque já tive a minha dose de trabalhos manuais e as respectivas notas e não me apetece ser avaliada por isso outra vez; quarto, porque eu e o meu filho fazemos coisas muito mais giras em conjunto; quinto, porque se gastarmos o tempo juntos a fazer trabalhos manuais, não temos tempo para fazer essas coisas muito mais giras; sexto, porque acho que os professores e a escola não podem mandar TPC que não possam ser feitos sem a colaboração dos pais; sétimo, porque tenho umas mãozinhas que parecem uns pezinhos e não quero que o meu filho saiba; oitavo, porque já não me lembro de mais razões mas quero continuar a enumerá-las e escrevo barbaridades como a do ponto sétimo só para encher; nono, porque a barbaridade do ponto sétimo não é eu ter u…

O Perigoso Mundo do Zapping

Preparo-me a rigor: pijama, pantufas, manta a tapar tudo desde os pés até às axilas, gato sobre os joelhos, comando da televisão na mão direita. Dou início ao zapping.  Passo depressa pelas telenovelas dos primeiros canais, corro através da Casa dos Segredos de olhos e ouvidos fechados para não ficar contaminada pelas Legionelas que por ali pairam e estaciono num canal de notícias pensando-me a salvo. Quando ainda estou a arrumar o veículo, sou bombardeada por jactos de escárnio e devassa Socrática e fujo para o canal seguinte. Aqui, sou brutalmente atropelada por tanques de análise futebolística. Volto a fugir a sete pés e caio que nem uma patinha num canal até ao presente desconhecido. No canto superior esquerdo posso ler Sic Caras. Por ser estranho, demoro-me uns minutos a observar o espécime. Quatro seres alinham-se em poltronas que formam uma meia-lua. Oiço-os comentar o que outros seres, que vão aparecendo em fotografias, trazem vestido. Assustada, interrogo-me como pode haver …

Filho Quase Verde

O meu filho é daqueles que separa sempre os lixos, e ralha com quem não o faz, guarda as tampinhas de plástico que entregamos na Junta de Freguesia para as transformar em cadeiras-de-rodas e afins, guarda as rolhas de cortiça que a escola troca por livros, fecha a torneira do lavatório quando está a lavar os dentes e não precisa da água corrente.  A última diligência ecológica que levou a cabo foi encher garrafões com a água que aquece para o duche. Só lhe falta mesmo é apagar as luzes das divisões de onde sai.
Lá chegaremos!

Nota Máxima Em Ingenuidade

Às vezes, acho-me um bocado ingénua. Pensar as notas como o resultado do empenho, esforço e/ou sabedoria dos alunos relativamente a determinada matéria é uma das ingenuidades que venho alimentando. Penso que, se não representam o que os alunos sabem ou o esforço que fazem para saber as matérias, não fazem sentido e não servem para mais nada. Ingenuidade a minha, pois as notas encobrem todo um universo paralelo!
Ultimamente, em conversa com alguns pais e avós de colegas do J. muito bons alunos, tenho constatado que, afinal, as boas notas são mais o resultado do trabalho dos familiares, que funcionam como uma equipa altamente organizada para os alunos em causa obterem bons resultados, do que do mérito individual dos miúdos. Na verdade, estes familiares estão tão preocupados com o brilhantismo das notas das suas crianças que se organizam de forma a funcionarem como uma linha de montagem de excelentes alunos. Empenho familiar, este que devia estar a ser aproveitado pelo ministério da edu…

Tostões

Gente que se vende a tostões. Venda por venda que se peça um valor alto pela alma. Agora tostões?! Já nem valem nada, os tostões... Já nem existem, mas há, ainda, quem troque convicções por eles.
Estranho...

Quão voláteis serão as convicções? E que farão aos tostões? Serão poucos e não haverá muito que se possa fazer com tamanha escassez. A não ser guardá-los. Ou utilizá-los como peça decorativa. Ou recordação do que em tempos se acreditou e se acabou por vender.

A tostões.

Ouvir Quem Sabe

O meu filho é um desportista nato. Dá o litro, tem uma garra invejável e uma resistência inabalável. 
Falávamos das minhas corridas.  - O meu problema é a respiração. Fui tantos anos fumadora que me custa aguentar a respiração acelerada na corrida, falta-me o ar ainda antes de me doer as pernas - desabafei. - Mãe, não desistas. Mesmo que pareça que vais morrer, não desistas! Continua sempre. - aconselhou-me.
A verdade é que sempre que estou p'ra morrer a meio de uma corrida, é este conselho que ecoa na minha cabeça. Já lá vão cinco semanas de quatro treinos semanais, o objectivo aproxima-se e ainda não desisti.
Obrigada, filho!

O Quarto Mandamento

- Mãe, a professora de Português disse para pesquisarmos os Dez Mandamentos! - Ok, vai lá ao computador pesquisar! O J. pesquisa e dá de caras com isto: 

- O quê? É isto?! Vou ter que escrever isto?! - Queres que te dite? - Ditas? - Dito. "Os Dez Mandamentos. Número um - Amar a Deus sobre todas as coisas". "Deus" com letra grande. - Oh, mãe, tenho vergonha! - Tens vergonha de quê? - De estar a escrever estas coisas religiosas! Isto é uma parvoíce! - Não há razão para teres vergonha. Há muitos anos, foram estas coisas religiosas que ensinaram as pessoas a serem melhores. Vá, "Número dois - Não tomar seu santo nome em vão". - Oh, o quê? Vou ter que escrever isso? - Vais! "Não tomar seu santo nome em vão". Olha aqui como tem coisas importantes: "Não matar", "não roubar". Vês ensina as pessoas a não fazerem estas coisas más! - Ponto três? -  "Guardar domingos e festas de guarda". E o mais importante de todos é o número …

Para o Lado Que Estamos Virados

Durante o jantar. - Os meus colegas acham preocupante haver gente que não conhece a Miley Cyrus. - Acham? Porquê? - Não faço ideia. Eu acho preocupante é haver colegas meus que não sabem quem é o ministro da educação! - Quem não sabe quem é a Miley Cyrus? Tu? - Não, o V. Achas preocupante? - Não. Ele pode não estar interessado nesse tipo de música e não estar atento. Não acho mesmo nada preocupante. - Eu também não. Mas não saberem quem é o chato do ministro da educação já me preocupa! - Preocupa? - Sim. Aposto que nenhum deles sabe. - Oh, deve haver quem conheça. O J.T. por exemplo. - Não, acho que não! - Mas ele sabe muitas coisas... Pode saber o nome do ministro. - Não, o J.T. só sabe coisas alegres. Não está virado para essas coisas más! Devo ser o único que conheço o Crato. - Hummm... E tu não estás virado para essas coisas alegres? - Não. Quando nos viramos para as coisas más, já não há volta! - Não há volta? Se calhar a culpa é minha de estares virado para coisas más... É? Não…

Para Pensar

Amor é...

... ver o meu homem na televisão e, de peito cheio de orgulho, sair-me "o meu homem é tão lindo!" como se namorássemos há dezoito meses em vez de há dezoito anos.


Felicidade Exacerbada

Estamos cercados por selfies risonhas, retratos sobre paisagens paradisíacas, imagens de pratos cheios de comida bonita e apetitosa.
Estamos cercados de felicidade exacerbada. Da falsa felicidade com que vivem os tontos, onde tudo é artificial e para mostrar e nada é genuíno e privado. Vive-se num filme cor-de-rosa, numa comédia romântica. Vive-se com uma alegria contagiante cheia de gadgets por onde se diz ao mundo o quanto se está feliz, e alegre, e contente, e feliz outra vez.

Desligam-se os dispositivos electrónicos e a felicidade

apaga-se.

A Anos-Luz

Sei que ando um bocadinho afastada daqui.  No fundo, no fundo, não é só daqui ou nem é daqui. Ando afastada desta coisa da escrita porque também destas coisas que se passam na vida. Das notícias, das polémicas, das conversas, das pessoas. Das pessoas. Cada vez mais das pessoas. Afligem-me muito. O que pensam, o que dizem, o que sentem. Mas o mal é meu que não consigo entendê-las. O mal é meu que não consigo dar a importância necessária a coisas, para mim, frívolas. Ou é meu que não encontro pessoas com quem sinta proximidade intelectual além dos meus muito próximos. Não que me sinta superior, que não sinto, é mais uma coisa de sintonia - não me sinto em sintonia com mais ninguém além dos meus muito próximos. Parece que estou sempre noutra, numa muito diferente da dos outros.  Às vezes, chego a ter a sensação que vivo num planeta diferente.  O que a mim me parece claro e lógico, aos outros parece completamente ridículo e sem nexo. E vice-versa. Não que eu ou os outros sejamos melhores…

Se Esta É a Imagem de Pais Felizes...

Não sei de quem tenho mais pena...

... se das filhas, se dos pais.