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Um Livro Onde Morar

Ando numa ânsia de ler. Talvez porque também ando numa ânsia de escrever. 
Tento escrever uma história que trabalha em mim há tempos. Por isso, leio livros. Leio vários livros em simultâneo, mas não me entra nenhum ou eu não entro em nenhum.
Fico à porta a olhar para dentro. Saio e volto a tentar entrar e saio de novo. Não quero, mas acabo sempre por sair. E ficar à porta a espreitar.
Procuro desesperadamente um onde morar uns tempos. Desejo um que me leve longe, que me engula. Mas a fresta que se abre a cada palavra lida é mínima e não caibo. Ponho o corpo de lado, enfio a mão, o braço, o ombro, mas o peito já não passa e fica à porta. Deixo o peito cá fora e leio só com as mãos e os braços. E o livro passa a ser assimilado a conta-gotas quando o queria sorver de um trago. Queria pegar-lhe e não o largar mais até terminar. Mas pouso-o e descanso-o, e descanso-me. 
Queria entrar nas personagens e pertencer-lhes. Elas fariam de mim o que quisessem, levar-me-iam para as suas histórias e eu integraria a trama, moraria dentro dela, assim como ela passaria a morar em mim. Mas os livros não me têm convidado a ficar. Abrem uma fresta mínima, deixam-me espreitar e dizem "volte mais tarde!". 
Em negação de mais uma tentativa frustrada, baixo a cabeça, retiro os braços e as mãos de fresta, viro as costas e vou-me embora. 

Raramente, volto.

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Vida eterna

Passou algum tempo desde a última vez que por aqui escrevi, mas não morri. Continuo viva.
Andei meio moribunda por uns tempos. Hoje estou melhor, sem estar completamente curada.

Uma depressão entrou-me cérebro adentro, matou-me os sonhos e adormeceu-me a vontade de viver. Desejei enfiar-me no escuro dos lençóis para a eternidade, quis morrer muitas vezes, pensei em formas de terminar com tudo.
Fui ao médico, aos médicos. Comecei a tomar medicação e voltei a sonhar à custa dos comprimidos para dormir. Agora já não tomo esses, estou apenas com os que me ajudam a levantar da cama, a encarar o dia e a minimizar os problemas.
Deixei de tremer e de suar de nervos, a ansiedade foi-se dissipando e só volta de vez em quando.
E voltei a sonhar sem comprimidos.

Ontem sonhei com o meu avô. Às vezes, ele vem visitar-me nos sonhos como que para me matar as saudades. Chega devagarinho e toma conta da história. Faz com que eu queira estar apenas na sua companhia como se, no sonho, eu saiba que ele vá…

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
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As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


O Desprezo É A Melhor Arma

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Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…

Ler e escrever

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