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Nirvana In Utero, Please!

Ok, confesso que estou um pouco nervosa. Tentei armar-me em fortalhaça, mas não estou a conseguir dar conta do recado.
O miúdo mudou de escola e saltou, num abrir e fechar de olhos, de ciclo. Ainda ontem estava eu a chorar nas escadas da creche por largar o meu piolhinho de quatro meses nas mãos de estranhas e hoje voltei a largá-lo numa escola enorme, com miúdos enormes (alguns já com barba e tudo) nas mãos de... de... DELE PRÓPRIO! Isto é assustador! Como é que ele foi capaz de crescer tão rápido, sem esperar que eu estivesse preparada? Como é que ele, assim de repente, foi capaz de ir para o segundo ciclo e passar a calçar o número quarenta e um sem sequer me avisar ou pedir autorização? O sacaninha do miúdo até já compra senhas para os almoços na cantina e tudo!

Expliquem lá, mães experientes, como é que se gerem estes medos, medos não, pavores, sem que nos colemos às costas dos filhos tal lapas às rochas? Sim, porque vê-los crescer é muito lindo e cheio de poesia, mas esta parte do abandono progressivo do ninho não tem piada nenhuma quando estamos no meio do ninho a vê-lo esvaziar-se! Porque nunca nos avisaram desta parte, hã?
Porque raio de carga de água há sempre o outro lado da questão? Aquele lado em que a beleza se esbate e em que começamos a ver tudo meio desfocado?
Fogo, pá, podiam fazer estas coisas à imagem do paraíso, onde tudo é belo e melodioso e em que as crianças crescem devagarinho e harmoniosamente sem atropelos e tropeções! E em que nós, mães apavoradas, podemos guardar os medos numa caixinha e curtir o crescimento dos rebentos em pleno nirvana!

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"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

A sesta

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A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

Marcadores #6

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