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A Rita e a Lina

Há pais viciados na Rita e na Lina. Há pais que não conseguem olhar para os filhos sem que estes estejam drogados. É completamente incomportável para estes pais que os filhos não queiram fazer os trabalhos de casa; que se distraiam com a mosquinha que lhes viaja pelo quarto enquanto estão sentados na secretária a olhar para os cadernos da escola que gostariam de queimar; que tenham uma letra feia; que prefiram andar aos saltos a estar concentrados em merdas que não lhes dizem absolutamente nada, porque a vida é feita de vídeo-jogos e televisão e tudo o resto não interessa nem ao menino Jesus, nem vale metade da atenção que despendem com coisas importantes como os jogos em que podem passar de nível.

"Estão doentes, de certeza" pensam os pais. E levam-nos ao pediatra que os encaminha para um psicólogo, que não os deixa sair sem um diagnóstico e uma receitazinha da Rita mais a Lina, uma anfetamina prima da cocaína, que os deixa sossegadinhos, direitinhos, atentos, obedientes e cheios de vontade de fazer os TPC. Os pais saem maravilhados do consultório sem se aperceberem que no momento que enfiarem aquela porcaria goela abaixo dos filhos perdem-nos para uma família de químicos que, além de os levarem para longe, os despersonaliza para sempre.

Alguém, na sua perfeita saúde mental, acredita que há crianças com vontade de fazer TPC? 
Alguém acredita que há um real interesse das crianças pela escola, nos moldes em que ela se lhes apresenta hoje em dia? 

Não me lixem!

(Sim, tive reunião de encarregados de educação e vim de lá lixada com F grande!)


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Vida eterna

Passou algum tempo desde a última vez que por aqui escrevi, mas não morri. Continuo viva.
Andei meio moribunda por uns tempos. Hoje estou melhor, sem estar completamente curada.

Uma depressão entrou-me cérebro adentro, matou-me os sonhos e adormeceu-me a vontade de viver. Desejei enfiar-me no escuro dos lençóis para a eternidade, quis morrer muitas vezes, pensei em formas de terminar com tudo.
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Deixei de tremer e de suar de nervos, a ansiedade foi-se dissipando e só volta de vez em quando.
E voltei a sonhar sem comprimidos.

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