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Castelos

Ver-te, o tempo todo, a encestar no cesto do quarto, no da rua, nos caixotes do lixo ou num cesto imaginário é ver-me a fazer rodas em todas as ruas sem trânsito e pinos em todas as paredes sem portas ou janelas.  
Sempre que te observo a imaginares jogos em que todos os jogadores és tu, lembro-me dos concursos de ginástica em que todas as concorrentes era eu. Ralho-te, porque é a minha função evitar o exagero e despertar-te para outras coisas, mas sinto essa obsessão que se apodera de nós quando gostamos realmente de alguma coisa. Sinto a força que nos domina e nos faz ultrapassar os limites que o corpo nos tenta impor. E sei que a nossa vida se vai alimentando disso, da transposição de barreiras e da criação de novas, em que vivemos dessa adrenalina e respiramos as nossas secretas vitórias. Uma após outra, como se de tijolos se tratassem, vamos construindo o nosso castelo imaginário, onde somos reis e senhores.

Sabes, filho, ainda hoje tenho os meus castelos? Mais pequeninos do que em criança, mais fáceis de construir, mas também menos belos e desejados. 
Às vezes, fico com medo de destruir os teus, pelo exemplo do insucesso dos meus e por não te deixar voar demasiado alto para que, se caíres, não te magoes, tanto. 
E fico com medo de não ser capaz de te ajudar a ser feliz e de fazer tudo errado. Tenho pavor de fazer tudo errado e de te ver perder essa ânsia de construir castelos e de te superares a cada tijolo. 

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