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Liderança

DAQUI

Há pais que aspiram ter filhos líderes, que saibam comandar, que se sintam à vontade em qualquer ambiente, que brilhem sempre, que mobilizem multidões. Há pais que tentam que os filhos frequentem todos os ateliers, actividades, ou workshops para adquirirem, entre outras, capacidades de liderança.

Nós não somos desses pais. Mas o nosso filho é desses filhos.

O sacana do rapaz é um líder nato. E, ao contrário dos pais que querem filhos líderes, nós não ficamos inchados quando o vemos a comandar as tropas, ficamos assim como que envergonhados. Não gostamos de o ver a querer mandar nos outros, achamos que é um pouco prepotente.
Quando lhe dá para brilhar e destacar-se num qualquer espectáculo escolar, não nos esticamos, para quem procura os pais daquele miúdo nos encontrar, mas encolhemo-nos e tentamos esconder-nos um atrás do outro para que não nos descubram. Somos uns pais mais recatados do que o filho e a exposição pública incomoda-nos. Mas o miúdo gosta de dar nas vistas e, ainda por cima, tem jeito, o que, por outro lado, nos deixa orgulhosos quando faz das suas "gracinhas". Ficamos assim como que orgulho-envergonhados. O que é lixado, pois não sabemos muito bem como reagir a este mix de sentimentos.

Apesar de nunca aspirarmos um filho líder, o miúdo é líder e até é um bom líder... Não entra muito naquelas cenas parvas de gabarolice, consegue mobilizar um grupo de miúdos pela causa que defende e leva-os a darem o melhor si próprios (o que me parece uma boa qualidade num líder).
Como líder e como quem gosta de dar espectáculo, o puto está sempre no centro das atenções (quando não está, faz por estar), facto este que nos deixa demasiado expostos para o nosso gosto e que faz com que ele vá criando inimizades com outros miúdos que também pretendem a liderança e com que alguns dos pais desses miúdos se aproximem de nós cheios de falsidade e de segundas intenções. (Como se serem nossos amigos, fizesse com que o nosso filho deixasse o deles liderar... Ah ah ah! Se pensam assim, além de falsos e mal-intencionados, também são um bocado ingénuos...)

E pais destes põem-me a pensar na tristeza de sociedade em que vivemos, onde os pais se esquecem que os filhos são pessoas a respeitar que têm de encontrar o seu lugar nos grupos por onde vão passando, e no mundo, e que têm de perceber onde se sentem melhor e onde querem estar, e nem todos se sentem bem a liderar ou é isso o que desejam. Se não é na função de líder que se sentem bem porque insistem os pais em torná-los líderes? Porque não os ajudam a procurar o seu lugar em vez de os obrigarem a tomar posições que os deixam desconfortáveis? Nós também tivemos que nos resignar ao papel de destaque que o J. gosta de desempenhar e não o obrigámos a ficar numa posição mais discreta que seria bem mais confortável para nós.
A imagem destes pais faz acentuar o fosso que há entre nós, pais do J., e a maior parte dos seres que educam crianças neste mundo, o que faz com que também se acentue o fosso que vai nascendo entre o nosso filho e a maior parte dos colegas e que tornará tudo isto a que chamamos vida bem mais difícil para ele.
E nesta altura, penso que as dificuldades também nos fortalecem, deixo para trás todas as outras dúvidas, volto à pergunta "O Que Desejamos Para os Nossos Filhos?" e agarro-me ao

"QUE SEJAM FELIZES!".

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