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Corridas, Galinhas e Provas, Ou Exames, Ou o Raio C'A Parta De Como Se Chama Aquela Porcaria Que As Crianças Vão Ter que Fazer No Final do Quarto Ano

Hoje ao fim do dia, fui correr com o meu puto. (Ah pois, ele agora já é puto. É que isto de estar quase a fazer dez anos tem destas coisas, o estatuto muda num ápice!) 
O puto, além de agora ser puto, corre que se farta e eu, eu vou atrás dele que me lixo! A arrastar-me...
Mas hoje, consegui o maravilhoso recorde de correr vinte minutos seguidos... Hã? Hã? Digam lá que não foi o máximo! Vá, digam lá, atrevam-se a dizer que não foi o máximo, que eu não publico o vosso comentário e pronto, faz de conta que se amedrontaram e perderam a coragem de dizer que não foi o máximo!
É óbvio que foi o máximo!!!!!

É claro que o puto corre sempre mais tempo e mais rápido do que eu, mas enfim, tem menos vinte e nove anos e este é um argumento a que me posso sempre agarrar!

Além de ter aderido à moda das corridas, também ando a dar numa de galinha.
Decoro os pratos com sementes, ora de chia, ora de outra coisa qualquer. Ficam giros, os pratos, todos pintalgados de sementes pequeninas.
Quanto ao resultado das corridas e das sementes, não noto nada. Mas que é fixe andar com os cabelos ao vento (ainda que eles estejam um bocado curtos para o efeito "gaja gira que corre") e comer comidas às pintinhas, lá isso é! 

Por fim, e entrando no ponto do "raio c'a parta de como se chama aquela porcaria que as crianças vão ter que fazer no final do quarto ano" já deito aquela merda pelos olhos! E é claro que sou contra e que detesto a ideia do meu filho ter que fazer aquela porcaria. Ainda mais, porque aquilo não tem ponta por onde se lhe pegue e, em vez de exames, ou provas, ou o caneco, aquilo são ratoeiras para apanhar os ratinhos dos nossos filhos.
Assim, enquanto uns vão chumbando no quarto ano à conta daquela bosta, outros vão chumbando no sexto à conta de uma bosta idêntica, e os que chegam à universidade são em muito menor número do que os que lá chegam hoje em dia, o que nem sequer quer dizer que chegarão os melhores. Talvez os mais ardilosos...

É triste, muito triste, ver turmas inteiras a treinar intensivamente para fazer um teste, ou melhor dois, que não testa nada, a não ser se os professores treinaram intensivamente ou não os seus alunos para fazerem aquele cocó de olhos fechados. E enquanto os professores e alunos estão distraídos a treinar aquela merda, ninguém prepara as crianças para a nova etapa que se avizinha (talvez até porque como não vão ser muitos a lá chegar, isso interesse pouco) que é a entrada no segundo ciclo, ciclo este que traz a tira-colo uma carrada de novas disciplinas, um horário mais diversificado a cumprir, um conjunto de novas regras, uma colectânea de professores (mais pequenina do que há alguns anos, já que muitos também foram despachados como os alunos vão ser a partir deste ano) e mais colegas, maiores e mais fortes, a conhecer. E como os professores que não têm turmas de quarto ano e os pais que constituem as associações de pais andam distraídos com as geniais festas de finalistas, que são mais uma das merdices que inventaram para porem as crianças a brincar aos adultos (como se não tivessem tempo suficiente pela frente para encetarem brincadeiras parvas dessas) a preparação dos miúdos para esta nova etapa das suas vidas fica atirada para último plano, porque o que interessa é que cresçam depressa e vão "masé"trabalhar.

Enfim, o ensino está a caminhar a passos largos para deixar de ensinar alguma coisa e passar a apenas formatar os discos cada vez mais rígidos dos alunos e a escola a deixar de ter a função de formar pessoas e passar a ser única e exclusivamente uma linha de montagem de mão-de-obra inculta e barata.

Por isso e a partir de agora, eu e o meu filho, tal galinha e pintainho, vamos mas é dar umas corridinhas e comer sementes, que é bem mais instrutivo do que andarmos preocupados com estas cenas ou "raio c'a parta de como se chama aquela porcaria que as crianças vão ter que fazer no final do quarto ano".

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