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Espaço

Custa encaixar-me. Qualquer coisa impede que me adapte. Um pensamento, uma palavra, uma sensação... Qualquer coisa que não me sabe bem, um travo amargo na boca, uma comichão no dedo, um zumbido no ouvido... E um arrepio. Pêlos sempre em pé sem a razão do frio. 

Custa identificar-me. Uma causa que não me cabe, uma camisola que não me serve, ideologia estreita ou larga demais. E uma nação estranha. Um quê de vazio num espaço desconhecido.

Custa encontrar-me. Dezenas de salas numa casa infinita. Caminhos tortos por corredores apertados, passos lentos na pressa de chegar, vagar azedo. E o ecoar do silêncio. 

E sempre o espaço. O espaço que me aperta e desacerta para, enfim, me deixar perder.

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Estamos a matar a infância das nossas crianças!

Se há cerca de vinte, trinta anos, não se sabia tanto quanto se sabe hoje sobre pedagogia, psicologia ou educação, actualmente este conhecimento é muito mais vasto. Tão vasto que tendemos a instrumentalizar a forma como educamos as nossas crianças.

Olhamos para os nosso filhos e vemo-los como projectos pessoais. Queremos que sejam os melhores e sempre melhores que eles próprios, que estejam sempre a evoluir para que sejam bem sucedidos na vida. É normal, porque independentemente das nossas crenças, queremos o melhor para eles, porque os amamos. Mas esta forma de amar e de os tentar conduzir para o sucesso está a matar-lhes a infância. 
Não são poucas as vezes que ouvimos coisas do género:  "Quero que o Rui seja um óptimo engenheiro";  "Estou a fazer tudo para que a Ana seja a melhor professora que já leccionou";  "O que mais quero é que o André vença no mundo do trabalho como o melhor designer gráfico".
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