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Dia de Qualquer Coisa

Acho graça a esta coisa dos dias disto e daquilo. Se já achava uma certa piada na vida real, começo a descobrir um encantamento diferente na vida em ecrãs de x polegadas. Se a loucura por estes dias, nas lojas, já era um exagero, a loucura pela mensagem mais pronta e sentida, no mundo cibernético, excede todas as minhas expectativas. 
Pergunto-me "andamos à procura de quê?", "queremos provar o quê?". E as respostas que me assaltam são qualquer coisa entre a afirmação pessoal, a demonstração de que a embalagem não está vazia e o sentido da vida. E não me excluo do pacote, pertenço a este "nós", ou não tivesse eu este blogue onde escrevinho "cenas que me ocorrem na alma". Ou acho eu que ocorrem... Ou quero afirmar que ocorrem... Ou a vida só faz sentido se ocorrerem cenas dessas... Não sei. 
A verdade é que não precisava de um Dia do Pai para me aperceber que o meu, e do meu filho, são os melhores pais do mundo (porque são o meu e do meu filho), ou de um Dia da Mãe para me sentir a Super-Mulher cá de casa, ou de um Dia da Mulher para ver o quanto estamos atrasados nisto da "igualdade de género", ou da Criança para amar um pouco mais o meu filho e perceber que este é um dia que já não posso celebrar como meu há anos. 
A verdade verdadinha é que não precisava de nada disto para saber que cá dentro ainda há qualquer coisa que me mantém viva e que essa coisa não se compra nas lojas, que pode ser dada sem todo o mundo ter de saber e que não precisa de dias marcados para sair. 
A verdade verdadinha é que o dia ser de qualquer coisa não nos faz melhor do que nos dias de nada e que o que andamos à procura, ou que queremos provar, ou está lá todos os dias... Ou, simplesmente, não está. 

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