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Esta Cena do Amor...

...É uma merda. 

Às vezes esconde-se nas trivialidades. Na roupa que arrumamos, na cozinha, no jantar, na televisão, num gesto, no espelho, na porta da rua. 
Procuramos. 
E no fundo de uma vaso, que já não nos lembrávamos que existia, lá está ele, encolhido, com medo de se perder de vez. 
Entornamo-lo sobre a mesa, a cama, ou mesmo o chão, e ele floresce como se regado. Apenas entornado, floresce. 
Às vezes esta cena do amor é assim uma merda que floresce do nada.

Outras vezes foge de nós. E corremos atrás. E ele foge... Encurralamo-lo num canto e apanhamo-lo na esquina. 
Ou não o apanhamos e perdemo-lo para sempre. Mas ao menos corremos...
Às vezes esta cena do amor é assim uma merda difícil de apanhar.

E outras vezes ainda, não há. Nunca houve. Inventámo-lo. E procuramo-lo noutros amores que não aquele. Sugamos outros amores porque aquele não. Não há. E vivemos na procura daquele que não há noutros.
Às vezes esta cena do amor é assim uma merda que temos que inventar. E de que sentimos a falta...

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