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O Poeta (ou a Poetisa) é um Fingidor

Em mais uma conversa pré-sono, falávamos de umas supostas pretendentes do J. 

- Ela disse que a minha letra era muito bonita!
- Oh, então está apaixonadíssima. Qualquer pessoa, no seu perfeito juízo, sabe que a tua letra não é nada bonita. Ela é voadora, nunca está toda sobre a linha. Mas bonita, não! Definitivamente, só uma pessoa apaixonada pode achar a tua letra bonita.
- Eh eh eh eh! Pois é. Pois, deve estar!
- E tu?
- Não sei. Ainda não sei.
- Mas há mais alguma menina que faça esse coraçãozinho bater com mais força?
- Há.
- Há? Quem?
- A M.
- E quem é a M.? Se é que posso perguntar?
- É aquela que vimos no outro dia, que tem o cabelo assim, mais ou menos, do tamanho do teu.
- Pois... Não sei. Sabes que há umas meninas lá da tua escola que eu confundo sempre. Nunca sei quem é quem. Mas não faz mal. Depois vejo se descubro. Achas que o coraçãozinho dela também bate com mais força por ti?
- Não sei.
- Mas porque é que esse coração acelera?
- Também não sei. Há qualquer coisinha nela...
- Que faz esse coração acelerar?
- Sim - envergonhado.
- Hummm!
- Hummm? Lá estás tu com o teu "hummm", mãe!
- Pois... É mesmo caso para "hummmm"! "Qualquer coisinha nela" quer dizer muita coisa. Hummm! Achas que ela também vê qualquer coisinha em ti?
- Não sei. O que é que tu achas? Diz-me tu.
- Eu? Eu é que não sei. Não vejo como ela reage. O que é que te parece? Ela reage de forma suspeita?
- Não, mas sabes que elas às vezes fingem!
- Hummm!

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

Há uma necessidade de luto não só na morte, mas na vida. É preciso o silêncio, a auto-comiseração, a dor profunda que nos permite emergir renovados e abertos ao que vem a seguir. Se não deixamos ir aquilo que nos sai da pele e da alma, dificilmente conseguimos arranjar espaço para aquilo que se segue. Somos limitados em espaço, temos pouco terreno para muitas coisas e enchemos o que temos com aquilo que nos preenche de verdade.
Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…