Avançar para o conteúdo principal

Lençóis de Flanela

Cá em casa, desde que aderimos aos lençóis pretos que não tínhamos lençóis de flanela na cama. 
No fim-de-semana passado, pensei "que se lixe a cama bonita, quero é uma cama quentinha!". Fui buscar os velhinhos lençóis de flanela à gaveta e, com eles, tornámos a cama um lugar bem mais agradável.
Hoje de manhã, o J., que não conhecia estes lençóis (vejam lá, há quantos anos ando a deitar-me numa cama gelada!), quando veio para a nossa cama, ficou fascinado e não se queria levantar nem por nada deste mundo. "Mãe, não quero sair daqui! Está-se tão bem..."

Há bocado, quando o fui deitar, disse-me:
- Eu queria era ir dormir para a vossa cama...
- Pois, mas não pode ser. Cada um dorme na sua cama!
- Então, quero uns lençóis como os vossos. Uns assim, tãããããão quentiiiinhos. Onde os arranjaste?
- Oh, já são velhinhos! - respondi, a pensar que o meu filho, de nove anos, ainda não conhecia lençóis de flanela. Que falha desgraçada! Coitada da criança, tantos anos sem conhecer o prazer de se deitar numa cama que não está gelada...
- Arranjem uns desses para a minha caminha, arranjam? Onde se compram?
- Numa loja que venda lençóis. Sim, vamos arranjar. Queres como prenda de Natal? - perguntei para ver se finalmente me dizia o que queria que lhe déssemos no Natal.
- Pode ser... - respondeu simplesmente.

Quando o J. era pequenino, o pediatra aconselhou-nos a não lhe pormos lençóis de flanela na cama por causa das infecções respiratórias que sofria semana sim, semana sim, durante todo o inverno. Por isso, nunca comprámos lençóis destes para a cama dele e também deixámos de os pôr na nossa. Mais tarde, vieram os lençóis pretos a condizer com as capas de edredão e os velhinhos, de flanela, acabaram por ficar esquecidos na gaveta. Até ao fim-de-semana passado...

Esta noite, quando me despedi do J., ainda me disse:
- Amanhã, vou acordar mais cedo para ir para a vossa cama e dormir um bocadinho nos lençóis de naftalina!
- Naftalina?
- Sim. Ou lá como se chamam os lençóis quentinhos...
- Flanela!
- Pois... É isso!

Comentários

  1. :)
    Eu sempre usei de flanela, pois sou uma friorenta-nata e entrar em lençõis gelados, era para mim um sofrimento atroz.
    O ano passado descobri os polares. Verdade que depois de algumas lavagens ficam "sem cara, nem olhos", mas estou como tu, quero é uma cama quentinha. Por isso de Inverno, a cama do puto-reguila e a minha, são uns forninhos muito difíceis de abandonar! :)
    Beijoca

    ResponderEliminar
  2. Aqui em casa ainda usamos nas duas caminhas.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Benedita,
    Ai os polares.... Não posso conhecer isso, senão o meu homem morre assado! ;)
    Bjs

    ResponderEliminar
  4. Rosinha,
    Eu só agora os redescobri!
    Bjs

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…