Avançar para o conteúdo principal

Amiguinhas dos Animais

Esplanada do Centro Comercial Vasco da Gama. Gaivotas a atacar tabuleiros com restos de comida. Duas amiguinhas dos animais tiram o miolo de pães que trazem dentro de um saco. Dão o miolo fofinho e arranjadinho às coitadinhas das gaivotas esfomeadas que só têm um rio imenso cheio de peixe do outro lado da rua, onde podem pescar comidinha. São tão amiguinhas dos animais que dão pão aos que não têm pão, cereais, ou alimentos processados na dieta original. São tão amiguinhas dos animais que os tratam como se fossem humanos. Tal e qual aqueles amiguinhos dos animais que tosquiam os seus cães no inverno porque largam muito pêlo pela casa e que, depois, lhes vestem uns casaquinhos muito lindinhos para não terem frio. Tão amiguinhas dos animais quanto os que mandam vir huskies siberianos - porque é moda ter um husky - para um país quente como o nosso. Tão amiguinhas dos animais quanto os que limpam o rabo dos cães com toalhetes perfumados para não cheirarem mal. Ou os que prendem animais selvagens em jaulas de dois por dois para os "protegerem".

Amizade estranha esta em se transformam os amigos noutra coisa que não aquilo que são, em que se os moldam às necessidades, gostos e caprichos que não são deles, mas nossos.
Amiguinhas destas, nem as da onça!

Imagem DAQUI

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos separar c…