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TPC

Já disse aqui que sou contra os trabalhos de casa? 

Ok, não sou contra os TPC na sua essência, sou apenas contra os moldes em que se tecem hoje em dia. 
Virem em quantidades iguais às que vinham no meu tempo de escola primária, contando que os miúdos têm uma tarde ou uma manhã livre para se lhes dedicarem e fazerem as pessoas pensarem que os pais devem ajudar os filhos com os exercícios escolares, fá-los perder todo o poder pedagógico que deveriam ter.

E ler COISINHAS DESTAS ainda me faz odiar mais os TPC.! Não, na verdade não são os TPC que fico a odiar mais (até porque na realidade não os odeio, até os acho muito úteis se os miúdos tivessem alguma hora realmente livre, por dia, para os fazerem), são estas pessoas que pensam exactamente como as querem fazer pensar e que, supostamente, educam alguém.
Se houve um ou dois artigos desta senhora com que concordei parcialmente, foi muito. Este, por acaso até é um deles... Concordo que os pais não devem ajudar os filhos com os trabalhos da casa, mas não pelas razões defendidas por ela. Discordo com todos os argumentos que nos apresenta, detesto a escrita, o conceito, os ideais. Enfim, acho o artigo deplorável!

"Então, porque é que continuas a ler as coisas que ela escreve?", perguntarão alguns. 
Primeiro, porque compro o jornal I todas as semanas. Segundo, porque as leio com a ideia "que raio de bacoradas vai esta senhora dizer desta vez?". 
Há coisas assim, que estão mais próximas do ódio do que do amor e de que gostamos só porque as odiamos. Destilamos veneno quando elas se nos deparam e purificamo-nos por isso. Esta senhora faz-me destilar todas as impurezas que vou acumulando ao longo da semana. Chego ao domingo e destilo-as ao ler os seus belos artigos de opinião. O que escreve é tão execrável que todo o mal que pode haver em mim sai-me pelos poros em segundos.
Qual massagem oriental, qual sauna ou quais bebidas purificadoras? Ler o lixo produzido por ela é muito melhor do que isso! Além de que nos faz sentir pessoas maravilhosas, mesmo que não o sejamos, se nos compararmos com esta gente tão... tão... vá lá, estranha!

Com o presente artigo, fiquei a perguntar-me quem obrigará esta mãe a ajudar os filhos a fazer os TPC e porque lhe é tão doloso lidar com eles (com os filhos, claro, não com os TPC!).
Eu, se ajudo o meu filho nalguma coisa, é porque quero. Não preciso de nenhum decreto-lei para o fazer ou para não o fazer. E não ajudo a fazer TPC porque não concordo que deva ajudar! Ele fá-los sozinho e depois tiro-lhe as dúvidas que possa ter. E tiro-as porque quero, e se não sei, digo-lhe para perguntar à professora. Não são poucas as vezes que ele vai para a escola com respostas em branco. Não sinto qualquer pressão para o ajudar, até porque se sentisse, não o faria. A função da escola é da escola, é ensinar, a minha, como mãe, é amar e educar, não é ensinar matérias de Português, Matemática ou Estudo do Meio. Se lhe ensino alguma coisa da escola é porque quero, porque sei, porque gosto e porque isso também me dá prazer. Também não faço os trabalhos do meu filho. Os trabalhos são dele, não meus. Não me sento ao lado dele para que os faça. Os TPC são para eles fazerem sozinhos e a intenção que fundamenta a sua existência é a do trabalho individual, o da experimentação, o da pesquisa, o da descoberta sem ajudas. Negar isto é aldrabar o sistema. Claro que os portugueses são exímios a aldrabar o sistema, e até há quem faça os trabalhos pelos filhos. Mas neste sector, não sou muito portuguesa. Não gosto de aldrabar. E não ensino o meu filho a fazê-lo, nem que para isso tenha que sofrer as consequências de não aldrabar. Muitas foram a batalhas travadas com algumas auxiliares de ATL por pintarem por ele aquilo que ele não queria pintar nos trabalhos de 1º ano, mas foram batalhas que lucraram na consciência da não-aldrabice e de que "há coisas que temos mesmo que fazer, apesar de não gostarmos".

Não sofro com a "cena" da escola. Nem lhe dou demasiada importância. Na verdade, não lhe dou quase importância nenhuma. E o meu filho tem sido aluno de quadro de mérito todos os anos lectivos. Não lhe dou prendas por isso, não levo os diplomas para mostrar às amigas, não os emolduro ou os colo à parede. Se o miúdo tem capacidades para ser bom na escola, só o convenço a usá-las, tal como o convenço a ser bom em tudo para o que tem capacidades. E orgulho-me de ser bom na escola, claro que orgulho! Tal como me orgulho de ser bom a jogar basquetebol, ou de ter pensamento crítico, ou de ter valores e princípios vincados, ou de ter sentido de humor apurado, ou de colocar dúvidas sobre tudo o que mexe e o que não mexe. Orgulho-me dele por ser o meu filho e por ser a pessoa que é, com as qualidades e também com os defeitos. E ajudá-lo a melhorar, a crescer, é um prazer, não é nenhum martírio.
Claro que há coisas chatas, claro que a relação nem sempre é perfeita, claro que me chateio com ele várias vezes, mas não sinto que a cabeça dele, que o cérebro dele, me seja "emocionalmente" problemática, ou que deteriore a nossa relação, antes pelo contrário, a cabeça dele é o que mais gosto no meu filho e é pela cabeça dele que o educo, que lhe ensino coisas, que o tento preparar para o futuro, pois é o cérebro dele que o vai construir enquanto pessoa. E eu, como mãe, quero ser participante nessa construção, nessa formação, não quero ser uma mera espectadora. Mas também não confundo papéis. Sou mãe, não sou professora, e em matéria escolar a minha participação é limitada ao meu papel de mãe. Ajudo tão só e apenas até onde acho que devo ajudar. Não quero substituir a professora, nem pretendo aldrabá-la. Respeito o seu papel e contribuo no que penso ser correcto contribuir, nada mais, nada menos.

E é por isso que acho que quem diz que "os pais não estão emocionalmente preparados para lidar com o cérebro dos filhos" não está, realmente, preparado para ser mãe ou pai, pois se os pais estão preparados de alguma forma, essa forma é a emocional, porque é ela que os capacita a educar os filhos, é ela que lhes dá as ferramentas para aprender sobre matérias das mais variadas áreas. É esse lado emocional que os faz um pouco, e em simultâneo, cuidadores, pediatras, médicos, professores, psicólogos. Afinal, é o lado emocional que os faz verdadeiramente PAIS!

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