Avançar para o conteúdo principal

PSP ou MEMEQL

Não, não é a Polícia de Segurança Pública, é mesmo a PlayStation Portable!

Tal como a televisão no quarto, é um alvo a abater, ou melhor a evitar! Ou seja, o meu filho não vai ter! 

Pior do que a televisão no quarto, as MEMEQL (Máquinas de Entreter Meninos em Qualquer Lado) são demasiado perigosas! 
"Oh, que dramática!", dirão alguns. 
Prefiro ser dramática a ter um filho sossegadinho e fechado, permanentemente, num mundinho virtual!
"Ah e tal, mas eles ficam entretidos, enquanto temos coisas para fazer!". 
Entretidos não, hipnotizados! Prefiro ter um filho que não se cala um minuto, que faz perguntas atrás de perguntas, que cansa, podem crer que cansa até bastante, a ter filho que mais parece um zombie.
"Ah, mas são óptimas para eles sossegarem, quando vamos, por exemplo, jantar fora!"
Pois... Prefiro mesmo passar o jantar a dizer "está quieto!", "tem calma, que já nos vamos embora!", "não mexas aí!", "aguenta, que é só mais bocadinho!" e incluí-lo nas conversas, do que ter um robot como companhia ao jantar! Ou se não estou mesmo com paciência (sim, às vezes, também não tenho paciência, não é nenhum crime, ou é?) para ter um jantar atribulado e quero estar descansada, deixá-lo em casa dos avós e ir sozinha jantar com o pai dele é a opção mais sincera, mais sensata, mais leal. E opto por ela várias vezes! Mas quando estou com o meu filho, estou realmente com ele, não com um boneco engraçadinho que não mexe outra coisa senão os dedos, que não fala outra coisa senão "ganhei!" ou "perdi", que não olha para outro lado senão para um pequeno ecrã com bonequinhos a correr para um lado e para o outro. Tenho uma criança comigo, com tudo o que isso implica! Porque ter filhos não é só fazê-los, vesti-los e dar-lhes de comer. Ter filhos é estar com eles, é aturá-los, sim aturá-los, eles às vezes são chatos e nós, como pais, temos que os aturar. Tal como eles têm que nos aturar a nós. É assim! As relações fazem-se muito de paciência e onde há amor, tem que haver paciência, muita paciência até! 

O pacote "filhos" não vem só com coisas boas e fáceis, vem também com coisas más, chatas e difíceis. Filhos não são sinónimo de serenidade! Filhos são atribulação, são instabilidade, são medos, dúvidas, interrupções. Quem tem filhos não tem sossego nunca! Até quando os deixamos em casa dos avós para termos um jantar sossegados, eles estão sempre connosco em pensamento. Pensamos se estão bem, se comeram tudo, se estão divertidos, se se sentem bem. No fundo, eles continuam a estar presentes no jantar, apenas não estão lá fisicamente. 

E as "Máquinas de Entreter Meninos em Qualquer Lado" são perigosas porque nos tiram os nossos filhos, eles deixam de ser nossos para serem filhos das máquinas e são elas que os educam. A realidade deles passa a ser o mundo virtual das máquinas e dos jogos e nós, pais reais, passamos a ser os virtuais.
Eu não quero ser virtual, nem quero ter um filho sossegadinho mas ausente. Quero o pacote todo. Com tudo o que isso implica! Quero o meu chato a chatear-me de vez em quando e poder dizer-lhe "sossega um bocadinho, ok?".

Mensagens populares deste blogue

A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

O Desprezo É A Melhor Arma

Não sou pessoa de dar desprezo a ninguém. Gosto de discutir, trocar ideias e pontos de vista e, por fim, de chegar a um consenso. Resolver a questão, arrumá-la ou atirá-la para trás das costas, porque a conversa nos iluminou os pensamentos difusos. Mas há pessoas, com as quais isso não é possível. Facto este, que me chateia particularmente... Gostava de conseguir esclarecer assuntos que acabam por ficar no ar e que geram mal-entendidos. Mas nem sempre consigo. Muitas vezes, não consigo. Ou porque a outra parte não está para aí virada, ou, pura e simplesmente, porque a única coisa que está disposta a ouvir é a sua própria voz. Tenho que admitir que, nestes casos, a melhor arma é o desprezo. Se o principal objectivo do nosso interlocutor é magoar-nos, enxovalhar-nos ou obrigar-nos a admitir que a razão nunca o abandona, não há matéria para discussão, nem vontade... Resta, apenas, o desperdício do nosso latim, atirado, com força, contra uma parede maciça, que acaba por o fazer evaporar …

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!