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Como é Bom Sentirmos Que Não Estamos Sós

Travar lutas contra o mundo e chegar à conclusão que estamos sós nas nossas opções é difícil. Não, não é difícil, é dificílimo. 

Eu e o pai do J. tivemos que tomar uma decisão bastante complicada relativamente ao futuro próximo do nosso filho. Tentámos adiá-la, pensámos em conjunto, discutimo-la, demos voltas e mais voltas, mas acabámos por decidir de acordo com as nossas convicções do que era melhor para ele. 
Juntámos esforços e, em conjunto, enfrentámos o mundo, um mundo pequeno, é certo, porque se circunscreve a uma área pequena, mas não um mundo insignificante. Apesar do esforço, a nossa árdua decisão abalou a vida do nosso filho, mexeu com amizades, com ambições, mudou-lhe rotinas e gerou uma data de inimigos, vá lá, opositores.
Durante a luta, sentimo-nos balançar, duvidámos várias vezes se estaríamos a fazer o mais correcto: Será que estamos a fazer bem? Será que vale a pena toda esta luta? Será que não o estamos a fazer sofrer desnecessariamente? Será que não teria sido melhor deixar a coisa andar para ver o que é que aconteceria? Eram perguntas que nos assaltavam constantemente. O assunto era conversa na ordem do dia e preocupação de todos os dias. 
Mas como a convicção era unânime, o princípio era o mesmo e os valores eram demasiado fortes para que os abandonássemos, conseguimos resistir a voltar atrás com a decisão tomada e armámo-nos até aos dentes para a luta que estava, ainda, no início. Fomo-nos apoiando mutuamente quando o outro se deixava levar pelo desânimo, agarrámo-nos às nossas crenças e defendemo-las com todas as nossas forças sempre que a luta assim o exigia. Ao mesmo tempo, fomos apoiando o J. incutindo-lhe os valores que defendíamos e dando-lhe a confiança de que tudo iria acabar em bem. 
Deixámos o tempo passar sem nunca descurarmos de observar as consequências da nossa acção. 
Mas a dúvida, se éramos nós que estávamos correctos ou o mundo, continuava a perturbar-nos... 
Até que, finalmente, apareceram pessoas a dar-nos razão. Pessoas que dominavam o tema vieram dizer-nos que estávamos certos, que o que fizemos foi o mais correcto, que é assim que as coisas funcionam, que o resto do mundo é que está errado e não nós.
E sentimo-nos confortados, apaziguados e acompanhados numa luta desigual em que o mundo é imenso e nós meras formigas. Descobrimos que, afinal, há mais formigas neste deserto e que o difícil, não, dificílimo, é mesmo encontrá-las.

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Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
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