Avançar para o conteúdo principal

CAMBADA DE IDIOTAS

Podia, devia, vir aqui, dizer mal do governo. Sim, podia e devia. Talvez isso fosse o mais acertado, o mais correcto, o mais normal. Mas não. Venho apenas "consternar-me". Com o governo, com o país, com este povo. Especialmente com este povo.

Somos uma camabada de IDIOTAS!

(Desculpem-me se feri susceptibilidades, mas se feri, aviso já que este texto tem uma bolinha vermelha no canto superior direito e se estão sensíveis hoje, voltem cá só amanhã, ok?)

Esta camabada de IDIOTAS, que nós somos, é tão execrável que me dá vómitos! 
Ouvir o meu homem dizer "vamos embora, vamos embora desta merda de país! Já não aguento mais esta merda de gente!" e ler o desalento nos seus olhos, porque grande parte desta CAMBADA DE IDIOTAS concorda que lhes cortem os braços e as pernas para sustentar uns vampiros que nos querem chupar o tutano para encherem os bolsos de grandes grupos económicos, e que ainda lhes oferecem os restantes membros ao corte em nome de uma invejazinha mascarada de benevolência, mostra-me que este túnel não tem luz ao fundo.

Arrumei o politicamente correcto na gaveta e a partir de agora só me vai sair sinceridade, doa a quem doer. Desculpem lá, mas se se sentirem ofendidos, vão ler outro blogue mais simpático, que hoje não estou nada simpática, e só de pensar que pode haver aí alguém amuado me irrita. 
Somos uma merda de povo que deixa que nos caguem em cima e pede mais! Somos uns pacóvios armados aos pingarelhos com a mania das importâncias, mas sem um pingo de dignidade. Deixamo-nos manipular por uma data de otários, para parecermos uns meninos bonitos aos olhos dos "camones". Até os angolanos já nos toparam! Pensávamos que os enganávamos com a nossa ganância disfarçada de bondade, mas até eles, que durante tantos anos fingiram que nos perdoaram todas as atrocidades que lhes fizemos durante a guerra, perceberam que somos um engodo. Só a CAMBADA DE IDIOTAS é que ainda não percebeu o quão idiota é. E continua a "idiotar" por aí como se ainda houvesse amanhã.
Perdoamos os cabrões que nos fodem todos os dias, lixamos o nosso parceiro e quem nos dá a mão, gozamos com quem luta pelos nossos direitos, pelos direitos de que abrimos mão para agradar aos gajos do poder e do dinheiro, lambemos botas a impostores, e no fim, ainda dizemos que somos todos muito bonzinhos e que queremos o bem ao nosso irmão.

Vão-se catar, seus filhos da puta! Vão-se catar, sua cambada de idiotas! Peguem no pingo minúsculo de dignidade que ainda vos resta e ergam-na sobre as vossas cabeças em prol de um país de jeito, de uma sociedade condigna, justa e verdadeira. Lutem por todos e não só por alguns! Lutem por vocês, pelos vossos filhos e netos e deixem de envergonhar os vossos avós que passaram as passas do Algarve para vos darem a oportunidade de falarem e de fazerem alguma coisa para mudar esta merda!

Comentários

  1. Subscrevo na totalidade a tua indignação, isso é que foi um desabafo daqueles... gostei.




    Beijoca

    ResponderEliminar
  2. Tenho de agradecer à Felina, pois foi ela quem me trouxe cá.
    Literalmente, vivemos num país onde se legalizou o saque... descaradamente.
    A maioria mostra indignação... mas a estagnação impera. Por exemplo, quero ver quantos se irão apresentar para a manifestação de amanhã... algo simples, é certo, mas que evidencia claramente quem é activo e quem é passivo.

    Idiotas? Sim, são mais que as mães!
    (ok admito, brincadeira algo forçada com o nome do recanto)
    ;)

    Beijinho

    ResponderEliminar
  3. Não gosto de comunistas, mas o meu pai era comunista... e eu gostava muito dele...finou-se com uma mão cheia de nada e outra plena de sonhos por realizar!!!!

    Gostei particularmente deste paragrafo:

    "Perdoamos os cabrões que nos f**** todos os dias, lixamos o nosso parceiro e quem nos dá a mão, gozamos com quem luta pelos nossos direitos"

    ....disseste tudo.

    Parabéns por este magnifico texto cheio de vida e consequência. Contrariamente a mim parece-me que a autora ainda acredita em algo, sorte a tua, azar o meu, pois que para além do dinheiro em pouco ou nada acredito.

    Felicidades

    La Vie en Rose

    ResponderEliminar
  4. Foi, Felina... Estava aqui entalado!
    Bjs

    ResponderEliminar
  5. Eros,
    A Felina trouxe-te a ti e mais uns tantos! :)
    Este país é uma tristeza! Aqui tudo é permitido! Somos demasiado "bonzinhos"! :(
    É verdade, até conseguem ser mais idiotas do que as mães! Eh eh eh!
    Bjs

    ResponderEliminar
  6. La Vie en Rose,
    Verdade que acreditas em pouco mais do que no dinheiro?
    Custa-me a crer!

    Bjs

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…