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GIAE Ai Ai!

Hoje, tomei conhecimento DESTA BELA FERRAMENTA e fiquei atónita. Informação informatizada dos vários intervenientes nas escolas, cujo acesso é permitido a encarregados de educação, alunos, docentes e funcionários. Acessos diferentes, é certo, mas acessos que permitem, no caso dos encarregados de educação, seguirem os passos dos filhos como se eles estivessem num qualquer reality show. Comecei a imaginar a alegria que alguns pais deverão sentir em poder saber o que fazem os filhos na escola à distância de um simples clique, no sentimento de controlo que os deverá invadir e na sensação de descanso que terão por manterem os filhos "sempre debaixo de olho".

E aí, caiu-me a ficha. 

A impressão de que valores, como a confiança e a responsabilidade, se estão a esvair num sopro, de que a comunicação interpessoal e familiar se perde a cada dia, e de que as relações virtuais se estão subtilmente a instalar, tomou posse de mim. Senti o coração a reduzir-se ao tamanho de uma noz. A capacidade de resiliência começou a abandonar-me e uma enorme sensação de perda apoderou-se do meu íntimo. O medo instalou-se, apavorando-me as entranhas, e os braços teimaram em deixar-se cair. 
Tudo o que sempre defendi, tudo em que acreditei, está cada vez mais longe. Não porque a crença se tenha evaporado, mas porque o mundo está a engolir as relações humanas num ápice. E a incapacidade de as segurar, enquanto me escorrem por entre os dedos, tortura-me. Por mais que eu queira continuar a acreditar que a força anímica é a mais poderosa de todas e que as pessoas se constroem muito pelas relações humanas que vão cultivando, o meu coração de mãe tem que se render à evidência de que esta luta é tão dura quanto inglória.
E vejo, agora, que não luto só por proporcionar, ao meu filho, a possibilidade de se tornar numa pessoa mais rica interiormente, num coração maior, numa pessoa inteira e feliz, mas que também luto, (in)cansavelmente, contra tudo o que me rodeia. 

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