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Café-Esplanada

Uma e meia da tarde, café-esplanada. 

Lá fora, conversa-se de trabalho, troca-se intrigas sobre colegas, come-se, apanha-se sol ou desfruta-se da sombra.

Cá dentro faz-se a mesma coisa sem sol ou sombra. Ouve-se o burburinho da cozinha. Os empregados correm de um lado para o outro querendo chegar sempre a tempo. A miúda nova, sem experiência, ainda delicada, tenta não se perder no corrupio de pratos sujos e lavados, de copos, de bebidas, de menus.
Um casal fala baixinho, procurando momentos de intimidade num lugar cheio gente. 
Há quem esteja sozinho. Há quem seja sozinho. Alguns tentam ler o jornal ou o programa das festas de Lisboa no papel que protege as mesas da sujidade dos pratos, da comida, do corrupio. 
Uns tentam o silêncio, outros ensurdecer no telemóvel. 
Todos vivem a mil tentando parar. Recolhem os cérebros a uma dimensão individual, onde estão mais sozinhos os acompanhados do que os sós.

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