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Como Podemos Ter Crianças Bem-Educadas Se Temos Adultos Tão Mal-Educados?

Badoca Safari Park...

Má-Educação Nº 1 e 2
Antes de entrarmos no tractor-comboio que nos leva a observar animais em estado pseudo-selvagem, temos vários avisos, um deles é que não se pode comer durante a viagem. Entramos no tractor-comboio, o guia avisa a tripulação das várias normas de segurança e, quando paramos a primeira vez, vai a mãe da família que segue atrás de nós, saca da caixinha das bolachinhas e toca a distribuir bolachinhas pela pequenada que guincha como se não houvesse amanhã.

Má-Educação Nº 3
A cada paragem do dito tractor-comboio, o guia explica-nos as características de cada animal que avistamos. Os rebentos da mesma família gritam de histerismo. Os pais dos rebentos riem da gritaria. O guia não se ouve.

Má-Educação Nº 4
Um dos ditos rebentos guinchadores e comedores de bolachinhas quer ver hienas. A mãe do rebento aponta um gnu e identifica-o como uma hiena, depois de chamar gato a um tigre de bengala. Bchi, bchi, bchi, anda cá gatinho!

Má-Educação Nº 5
No Badoca há uma girafa feita de madeira para as crianças subirem e brincarem por ela adentro.
Uma menina francesa e o J. esperam que outras crianças desçam para eles subirem. 
Chega uma mãe com dois rebentos minúsculos para uma subida tão grande e perigosa e atira os rebentos para dentro da girafa à frente das crianças que esperam pacientemente a sua vez. Escusado será dizer, que os rebentos minúsculos tremeram só de pensar em descer de tão alto brinquedo e que aqui a chata se passou da cabeça e avisou a mãe dos rebentos que atirar rebentos minúsculos à frente das crianças que esperam a sua vez não é coisa bonita de se fazer.
A mãe ficou ofendida e teve que ser socorrida pelo pai da criança francesa para conseguir recuperar os seus rebentos de dentro da girafa. (Há tareias que não precisam de mãos, ah pois há!)
No final, ralhou com seus minúsculos porque quiseram subir à girafa. (Há gente, que por muita tareia que leve, não aprende, ah pois há!)

Como podemos ter crianças bem-educadas se temos adultos tão mal-educados?
Hã?

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O meu pai

Lembro-me de, aos 15 anos, ter amigos com pais com idades entre os 50/60 anos. Olhava para eles e pensava "fogo, os pais deles são tão velhos".
O meu pai tinha 36 anos quando eu tinha 15 e os dos meus amigos tinham idades próximas da dele agora. O meu pai descobriu esta coisa da parentalidade aos 21. Quando fiz 21, ele só tinha 41, quase 42.

Hoje, faz 62 anos e sou eu que tenho 41. A diferença de idades continua a mesma, mas sinto-me mais próxima dele. Mais próxima em idade e mais próxima fisicamente.

Somos diferentes e ao mesmo tempo iguais. Discutimos que nos fartamos, porque adoramos uma boa discussão. Um diz preto e o outro diz branco. Raramente, chegamos ao cinzento, porque somos igualmente casmurros.

O meu pai esteve longe muito tempo. Tempo demais. Até nas razões do que nos distanciou discordamos. Porém, concordamos que devíamos ter estado sempre mais perto.

Em pequena, era incapaz de lhe perdoar a distância. Aceitava-a simplesmente, mas com uma mágoa maior do que eu.

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…

Método científico

A propósito do vídeo abaixo que vi no Facebook, lembrei-me de vos contar duas ou três situações que aconteceram comigo na minha última ida ao Amoreiras, relacionadas com o nível de educação a que lá costumo assistir.


Antes, faço uma pequena introdução para que melhor entendam onde quero chegar.
Costumo ir ao cinema a centros comerciais, pois, além de já quase não haver cinemas só cinemas, vou atrás do filme que me apetece ver e, por isso, não tenho um sítio fixo e ando quase aleatoriamente por esses antros de consumo, Lisboa fora, no encalço do lugar mais barato para ver determinado filme. Restam-me, por vezes, locais não tão baratos, mas que são os únicos onde o filme passa ou são os que têm o horário que me dá mais jeito.


No domingo passado, calhou ir ao Amoreiras. Já lá tínhamos ido noutras ocasiões e, confesso-vos, não é um dos locais que goste especialmente de ir ou estar. Aquilo é muito mal frequentado. Dá a ideia que é um local que atrai gente mal educada...
Quem conhece este centr…

Espaços vagos

O luto não se faz só pelas pessoas que nos faltam e que se vão pelo fim da vida. Faz-se também e amiúde por aquilo que vamos perdendo: a paz, a realização pessoal, os sítios em que nos sentimos bem e que temos de abandonar, os ambientes, os cheiros. Perdemos bocados de nós à medida que vamos ganhando outros ou transmutando os que tínhamos.

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Ao contrário do que nos parece, a perda faz-nos bem. Faz-nos evoluir, torna-nos mais fortes e permite-nos valorizar tanto o que se foi, quanto o que virá. Só os espaços vagos se podem ocupar e se não os ocupamos com aquilo qu…