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Tantos Anos

Em conversa pré-sono digo ao J. que me dói o braço direito por causa do raio do rato do computador.
- Queres que te faça uma massagem? - pergunta.
- Sim, boa! Gosto muito das tuas massagens!
Começa a massajar-me o braço com dedinhos cuidadosos.
- Hum, que bom! Já me dói menos! És muito bom a fazer massagens! Não queres ser massagista quando fores grande?
- Oh não, então eu ficava a dar massagens enquanto os outros iam jogar?
- Jogar?
- Sim, basquete. Eles jogavam e eu dava massagens?! Tinha muita graça, tinha!
(Quem é frequentador habitual aqui do tasco já conhece o desejo do J. em ser jogador da basquetebol quando for grande. Quem não é habitual, pode espreitar AQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI)
- Mas podias, pelo menos, fazer um workshop de massagens para fazeres massagens às tuas namoradas e... à tua querida mãezinha.
- Olha, até podia tirar um curso...  - pensa um bocadinho sobre o assunto - Não há cursos desses para crianças?
- Não, só há para maiorzinhos.
- Para que idades?
- Lá para os dezasseis anos... Por isso, ainda vou ter que esperar muitos anos para me fazeres massagens como um profissional.
- Para os catorze não há?
- Não sei, talvez. Mas mesmo assim ainda vou ter que esperar seis anos.
- Seis anos?! Cinco! Mãe, não és mesmo nada boa a matemática.
- Pois... tens razão. Fiz as contas como se ainda tivesses oito anos. Ainda não me habituei aos nove.
- Eu também não. É estranho ter nove anos! Já passaram tantos anos!
Faço contas à minha idade.
- Bem, não foram assim tantos...

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…