Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2013

Diferença ou Igualdade?

Eis a questão... Quando educamos os nossos filhos, o que lhes queremos transmitir? Queremos que sejam felizes, certo? Mas onde encontrarão eles a felicidade? Na integração social ou na riqueza de valores? Gostaríamos de poder responder "nas duas!".  Mas nem sempre isso é possível... Se a sociedade é injusta e sem valores, incutir-lhe valores fortemente vincados, não irá fazê-los sentirem-se desintegrados? Se estão integrados numa sociedade injusta, será que os valores estão bem interiorizados? Assim, o que escolhemos? Integrar ou valorizar? Ao longo destes nove anos de maternidade, tem-me assaltado esta dúvida inúmeras vezes... Até agora, tenho optado pelos valores. Tenho feito tudo para que o meu filho saiba distinguir a justiça da injustiça; saiba olhar a diferença sem preconceitos; tenha uma visão do mundo o mais vasta possível; conheça todo o tipo de pessoas, experimente gastronomias diferentes, contacte com várias formas de arte; visite outros países e

O "Post"

Amanhã, vou escrever um post . Outro. Não este. Será sobre dúvidas maternas ou maternais. Sei lá.  Estou cheia de sono e já não digo coisa com coisa. Muito menos escrevo... спакойнай ночы! (Diz que isto é boa noite em bielorrusso).

Sexismo

No comboio, um menino ao colo da mãe mete-se com uma senhora que faz croché. - Estás a fazer o quê? - pergunta. - Estou a fazer carteiras... mas é para meninas. - responde a senhora. - Então, porque é que estás a fazer em azul? - O azul não é só cor de meninos... há meninas que também gostam de azul. Por exemplo, eu sempre gostei mais de azul do que de cor-de-rosa. "Ah sim? E o cor-de-rosa é cor só de meninas porquê? E as carteiras são só para meninas porquê?"- apeteceu-me perguntar. Do Google Images

Sede

Vontade de beber a paisagem. Sede de cores, sons e cheiros. Sede de ruas vazias e de silêncio. Sede da essência das coisas e da pureza do sentir. Sede da brisa que lava os pensamentos, do sol que queima as amarguras. Sede de mim. Sede de ti.

Estranho...

Estranho é pensar que todos nascemos. Viemos de um parto. Pequeninos e indefesos saímos de dentro dos corpos das nossas mães. Pelas vaginas das nossas mães. Saímos sem pruridos, sem pudor, sem aspirações... Saímos só. Zás! Nus e crus viemos ao mundo. Bebés, frágeis, a choramingar...  Estranho é pensar que certas pessoas também nasceram e deixaram tudo isso lá para trás. Pensar que perderam a consciência do nascer, que se tornaram máquinas de tão civilizadas. Deixaram o instinto, a pureza, a inocência lá bem longe no acto de nascer. Perderam o bom que é ser animal e selvagem. Perderam a liberdade de se desprenderem do certinho e aceitável, do bem-compostinho, do que nos é incutido pela civilidade, do que nos amarra a estereótipos e nos faz morrer. Estranho é pensar que nascer e morrer estão tão próximos quanto distantes...

Melodia Silenciosa

Palavra que não se diz porque o olhar já disse Melodia telepática em dueto que nos embala Pensamento nosso que sai de outra boca E dança ao som da música que vem de dentro Membro que dói e não é nosso Prazer que nos arde do corpo do outro Amor borbulhante que vive no ar E dança ao som da música que vem de dentro Sonho partilhado em sonos distintos Uivos em uníssono Medo que queda no aconchego E dança ao som da música que vem de dentro

Tantos Anos

Em conversa pré-sono digo ao J. que me dói o braço direito por causa do raio do rato do computador. - Queres que te faça uma massagem? - pergunta. - Sim, boa! Gosto muito das tuas massagens! Começa a massajar-me o braço com dedinhos cuidadosos. - Hum, que bom! Já me dói menos! És muito bom a fazer massagens! Não queres ser massagista quando fores grande? - Oh não, então eu ficava a dar massagens enquanto os outros iam jogar? - Jogar? - Sim, basquete. Eles jogavam e eu dava massagens?! Tinha muita graça, tinha! (Quem é frequentador habitual aqui do tasco já conhece o desejo do J. em ser jogador da basquetebol quando for grande. Quem não é habitual, pode espreitar  AQUI ,  AQUI ,  AQUI ,  AQUI  e  AQUI ) - Mas podias, pelo menos, fazer um workshop de massagens para fazeres massagens às tuas namoradas e... à tua querida mãezinha. - Olha, até podia tirar um curso...  - pensa um bocadinho sobre o assunto - Não há cursos desses para crianças? - Não, só há para maiorzin

Knojo!

Este livro foi oferecido ao J. há já algum tempinho, mas na altura ele não lhe ligou grande coisa.  Ontem, não tínhamos nada para ler como história pré-sono e eu resolvi pegar neste. O J. adorou o primeiro capítulo e ficou entusiasmado para ler o resto. Hoje à tarde, apanhei-o a lê-lo sozinho e à noite voltámos a ler juntos sobre coisas nojentas. Lemos sobre as ranhocas que soltamos quando espirramos e sobre os fungos que causam o pé-de-atleta. O livro é cheio de humor e ensina-nos a fazer ranhocas artificiais e coisas do género que podem ser usadas em brincadeiras. É mesmo muita giro, blhac! Imagem  DAQUI

O Corte do Cordão Umbilical Aos Trinta e Oito Anos

Hoje, com 38 anos, finalmente consigo analisar-me sem ressentimentos, sem mágoa, ou revolta... Falta-me conseguir mudar o que sei que está mal em mim e me faz sofrer. É um nível mais à frente. Talvez ainda tenha muito caminho a percorrer ou talvez nunca lá chegue. Mas sinto que estou numa fase muito importante da minha vida. Esta é a fase da introspecção e aquela que me vai dar ferramentas para me conhecer verdadeiramente.  Espero eu... Os meus pais separaram-se quando eu tinha nove anos. O meu pai afastou-se. Fiquei entregue à minha mãe. Se dissesse que não sofri com a separação dos meus pais, estaria a mentir. Sofri muito, mesmo muito. As coisas que foram ditas e os acontecimentos durante a separação ficaram gravadas em mim como um ferro em brasa. Com nove anos não entendemos muitas coisas. Aceitamos algumas, rejeitamos outras. E culpamo-nos por outras. A certeza do amor que sentem por nós, mesmo que se esforcem muito para que isso não aconteça, fica abalada. Estremece.

Sou Uma Idiota!

É verdade, sou!  Tenho tantas ideias, mas tantas, que tomo a liberdade de me apelidar de idiota. Tenho ideias de tudo, para tudo e sobre tudo. Porém, a minha idiotice não acaba aqui...   Tenho tantas ideias que nem sei por onde começar. Por isso, acabo por nunca começar nada. Fico-me pelas ideias.  As sacanas rodopiam na minha cabeça a uma velocidade vertiginosa, ganham forma e perdem-na, transformam-se noutras, aprimoram-se, estragam-se, reconstroem-se, vão e vêm, mas nunca se concretizam, nunca passam à fase seguinte em que deixam de ser apenas ideias...  De ideia em ideia, vou sonhando com o dia em que ganho coragem e as transformo em algo concreto, palpável, fiável, real.  Esse dia ainda não chegou. E não faço ideia, quando chegará! Do sítio do costume!

Exercícios Mentais Versus Gordura Intelectual

O meu miúdo entretém-se a fazer alguns exercícios mentais que me fazem sentir (apesar de neste momento estar ruiva) cada vez mais loira. Hoje, na conversa pré-sono, feita a três, passou a explicar-nos alguns dos seus entreténs intelectuais.  Foram os seguintes: - Dizer as palavras ao contrário.  Por exemplo: hipopótamo - omatópopih  - Atribuir números às vogais e fazer contas de somar e de subtrair com elas. Por exemplo: a = 1; e = 2; i = 3; o = 4; u = 5. Fazer as contas da seguinte forma:  a + e = i; u - a = o e por aí adiante... - A partir de uma palavra, retirar-lhe as vogais e usá-las para fazer outras palavras que, posteriormente, serão utilizadas na construção de frases por ele inventadas. Por exemplo: Da palavra "corda" retira o "o" e o "a", junta-as de forma a formar a palavra "ao" e insere-a numa frase qualquer "O Rui escreveu uma carta ao pai". "Este exercício não dá para fazer com palavras que t

Hospitais Megalómanos Vesus Eficiência Minilómana

Cá no burgo construiu-se um hospital "muita" grande.  Cá no burgo dizia-se, "nos antigamentes", que o hospital não funcionava bem porque não era bem gerido (tinha gerência exclusivamente estatal), ou porque os meios eram precários (instalações velhas, aparelhos médicos escassos e antigos, etc., etc.). O burgo de cá resolveu a questão:  - construiu um mega-hospital, com centenas de camas a mais do que o antigo, gerência "by Mellos", quartos individuais de luxo, alta-tecnologia, corredores largos, lojas, parques de estacionamento "a pagantes", pista para helicóptero, televisões em todas as salas de espera, máquinas de comida "à vontadex do freguês", etc., etc. Mas o burgo destas bandas esqueceu-se de contratar médicos suficientes para que uma criança de nove anos não tivesse que esperar três horas e meia para ser eficientemente atendida quando parte um dedo do pé! O burgo é burro e pensa que são as coisas que fazem a efic

Calor

Sim, gosto de calor, mas não é preciso exagerar, ok?   Sol roubado por aí!

Amor e Amores

Custa-me sempre falar de amor... Explicar o amor não é coisa fácil... Talvez porque não tenha grande explicação e apenas intuição... As palavras saem devagar e a saca-rolhas. O discurso não flui como em certos temas mais fáceis. Vem aos soluços, em frases curtas e toscas. Frases toscas como o amor que é tosco, porém sem ser curto... O amor é tosco e desajeitado, tropeça-nos na vida e faz-nos tropeçar nela. Desequilibra-nos por dentro sem, todavia, deixar de nos reequilibrar.  O amor é desenhado com linhas ondulantes, não respeita sentidos nem direcções, desliza ao vento dos corações e só termina quando o vendaval se esvai.  O amor não se encena. A acção decorre sem que nos apercebamos das mudanças de acto. Não há tempo para retomar o fôlego, para pensar ou repetir a cena. Não há ensaio geral, nem noite de estreia.  O amor leva-nos a percorrer o caminho ondulante que vai descrevendo, sem que tenhamos a percepção se estamos no início, no meio ou no fim. Mas o fascínio do a

Gasparziiiiinho

Gasparzinho, meu amor, porque te vais e me deixas tão triste?  Porque te retiras dos noticiários da hora do jantar e me arrefeces as refeições com a tua ausência nas piadas familiares? Até o J. já primava por um poderoso sentido de humor quando se te referia... Eras a alegria desta casa. O miúdo, depois de árduos treinos, já te imitava na perfeição. Gargalhávamos com prazer a ouvi-lo quando reduzia o compasso da conversa, pensava uma eternidade entre cada frase e demorava as respostas. Porque te vais e deixas esta casa tão vazia de chacota? Mais ninguém se te compara. Nem o moço da relva nos alegrava tanto. Vamos ter saudades...