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World Press Photo 2013

Imagem do Google Images
Fomos ver o World Press Photo com o J. Como de costume, não o deixámos ver as fotos todas. Na verdade, ele também não quis. 
Deixei o pai do J. ir sozinho, pois é ele o apaixonado pela fotografia, e fui eu com o J.. 

Vimos as fotografias de Natureza, as dos Desportos e passámos a correr por uma secção em que a dureza das imagens se adensava. Ao cruzarmos uma esquina, o J. deparou-se com a imagem ali de cima.
- Mãe, não quero ir para ali. Já vi uma cara verde.
Pedi ao pai do J. que me viesses substituir um bocadinho para que eu pudesse ver o resto da exposição e depois saí com o pequeno para a rua. Fomos comer um gelado sentados na relva e falámos sobre a cara verde que tanto o tinha impressionado.
- O que era aquela cara, mãe?
- Era uma mulher iraniana. O verde era só um lenço que ela tinha na cara.
- Mas era tão feia... Porque é que nesta exposição há sempre coisas tão feias? Podiam pôr fotografias mais bonitas...
- É de propósito, J., estas fotografias servem para denunciar ao mundo as coisas feias que se passam em certos lugares. Se não fossem algumas destas fotografias, nós nunca saberíamos as guerras que se travam por aí e as atrocidades que ainda se fazem às pessoas.
- O que são atrocidades?
- São coisas más. Por exemplo, há mulheres, como aquela do lenço verde, que não têm direitos nenhuns. Não podem mostrar a cara, não podem ir à escola, trabalhar, ou votar. Algumas nem sequer podem sair à rua sem a autorização dos maridos, porque são eles que mandam nelas.
- A sério? Mas cá podem até ser presidentes, não podem?
- Podem. Mas já houve um tempo em que também não podiam votar, quanto mais serem presidentes. E não foi assim há tanto tempo. Esses direitos foram conquistados, aqui também. Só se soubermos que ainda acontecem tantas coisas más com algumas pessoas, é que podemos ajudá-las a conquistarem certos direitos. Esta exposição serve para nos mostrar isso mesmo.
- Ah, já entendi. Mas as fotografias podiam ser mais bonitas...
- Se fossem mais bonitas, nós não acharíamos horrível o que elas mostram e não ficaríamos revoltados. Só revoltados é que fazemos alguma coisa para mudar as coisas.
- Está bem, mas eu não gosto de as ver.
- Eu sei, por isso viemos embora sem as ires ver.

A exposição está muito forte, mas não foi isso que impediu alguns pais de se passearem com as suas crianças, ainda mais pequenas do que o J., por entre aqueles cenários de horror. (Confesso que este facto me fez uma certa confusão). Também não impediu que gente adulta e completamente alheia ao sofrimento de quem estava retratado nas imagens, mantivesse a mesma opinião que uma criança de 8 anos e achasse que "blhac, que fotos horríveis! Podiam ganhar umas mais bonitas!".

Se quiserem dar uma espreitadela às imagens da exposição, vão por AQUI.

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