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Doce Acordar

Às nove e meia da manhã, acordo com:
- Mãe, anda aqui acender a luz.
- Oh não, quero dormir mais um bocadinho! - respondo.
- Então acende essa luz aí do candeeiro.
Muito contra vontade e com uma soneira do caraças, lá acendo a luz. 
Vejo um J. de tabuleiro na mão, com uma caneca de café com leite e um pão com doce, que se me dirige.
- Toma, mãe! Arranjei-te o pequeno-almoço!
Derreto-me toda. 
- Oh J., obrigada. Mas o dia da mãe é só amanhã...
- Eu sei, mas não conseguia esperar mais... - aponta para a caneca e para o pão - Vês, o leite tem café e o pão tem doce de figo como tu gostas. Está bom?
- Está óptimo! - bebo um gole de café com leite - Não tem açúcar?
- Não, querias com açúcar?
- Sim, costumo beber com açúcar.
- Vou buscá-lo!
Quando volta com o açúcar, digo-lhe:
- Obrigada. Assim está óptimo. - dou uma trinca no pão - O pão está quentinho!
- Pois está, quentinho é muito melhor, não é?
- Sim, está perfeito. Que pequeno-almoço maravilhoso!

Ele fez tudo sozinho, pois estamos em casa só os dois e o gato (e não acredito que o gato o tenha ajudado nalguma coisa). Descongelou o pão no microondas, cortou-o, pôs o doce, tirou o café na máquina, aqueceu o café com leite no microondas e preparou o tabuleiro. 
No final, ainda me tirou mais um café, porque, segundo ele, o anterior não estava muito bem, e rematou "é o café de Timor, gostas mais deste, não gostas?".

Estou tão orgulhosa e derretida com o meu pequeno que não caibo em mim... 
Parece que, afinal, este pequeno já não é assim tão pequeno!

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O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

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