Avançar para o conteúdo principal

Quá Quá!

Estávamos no jardim da Gulbenkian a ver uma mãe pata e seus patinhos. De repente, um pato, macho, aproxima-se. A pata, enfurecida,  ataca-o. Morde-o no bico como se lhe estivesse a dar "linguados". 
O J. pergunta:
- Eles estão a beijar-se?
- Não, estão à luta. - respondo.
A luta entre a pata e o pato continua.
O J. pergunta:
- Mas porquê?
- A pata está a defender os patinhos do pato. As mães (animais) são assim. O pato vem chateá-la e ela enxota-o, lutando com ele, para proteger os filhos.
- É como tu, mãe, a proteger os filhos. Quando alguém me quer fazer mal, tu atacas.
- A proteger o filho, só tenho um. Achas mesmo que eu sou assim?
- Acho, tu és mesmo assim, como a pata.

Continuámos o passeio. Mais à frente, o J. diz:
- Pai, agarra-me lá para a mãe me vir defender. Mãããee, o pai está a agarrar-me. Olha!

That's me! (Imagem da Internet)

Mensagens populares deste blogue

#9 Excertos de uma coisa qualquer

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…

#7 Excertos de uma coisa qualquer

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…