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Quá Quá!

Estávamos no jardim da Gulbenkian a ver uma mãe pata e seus patinhos. De repente, um pato, macho, aproxima-se. A pata, enfurecida,  ataca-o. Morde-o no bico como se lhe estivesse a dar "linguados". 
O J. pergunta:
- Eles estão a beijar-se?
- Não, estão à luta. - respondo.
A luta entre a pata e o pato continua.
O J. pergunta:
- Mas porquê?
- A pata está a defender os patinhos do pato. As mães (animais) são assim. O pato vem chateá-la e ela enxota-o, lutando com ele, para proteger os filhos.
- É como tu, mãe, a proteger os filhos. Quando alguém me quer fazer mal, tu atacas.
- A proteger o filho, só tenho um. Achas mesmo que eu sou assim?
- Acho, tu és mesmo assim, como a pata.

Continuámos o passeio. Mais à frente, o J. diz:
- Pai, agarra-me lá para a mãe me vir defender. Mãããee, o pai está a agarrar-me. Olha!

That's me! (Imagem da Internet)

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"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

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Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…