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Liberté, égalité, fraternité!

Tenho seguido as notícias que vão aparecendo sobre as manifestações em França contra o casamento gay e a adopção de crianças por casais homossexuais. Tenho tentado, a muito custo, compreender quais as razões que levam tanta gente às ruas para se manifestarem contra uma lei como esta.

Sinceramente, tenho-me visto "às aranhas" para perceber esta gente!

França, a terra da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", cheia de gente indignada com uma lei que respeita em pleno o lema nacional?!

Na notícia que lerão (se clicarem no link acima) poderão ver algumas das palavras de ordem gritadas nestas manifestações: "vocês estão a assassinar crianças!";"um pai e uma mãe!".

Chego à conclusão que o que se passa aqui é uma total distorção do conceito de família. 
Se uma família se reduzisse à existência de um pai, uma mãe e os filhos, estávamos nós muito bem. Se essa fosse a fórmula ideal para termos crianças saudáveis e felizes e, consequentemente, adultos saudáveis e felizes, este seria um mundo muito perto da perfeição.

Mas não é. E não é, porque não basta as crianças terem um pai e uma mãe para que o seu crescimento saudável e a sua felicidade nos sejam garantidos. Se isso garantisse alguma coisa, não existiriam crianças vítimas de abusos físicos, psicológicos e sexuais pelos próprios pais; não teríamos pais a assassinar filhos e filhos a assassinar pais; não teríamos crianças completamente desequilibradas; não teríamos famílias completamente desestruturadas.
Teríamos sim, um mundo cheio gente alegre e bem formada.

Mas não temos. Por isso, é preciso mais do que a existência de um pai e de uma mãe para produzirmos crianças bem-formadas e felizes. É preciso muito mais do que isso...
É preciso respeito, atenção e amor pelas crianças, que um pai e uma mãe, só por serem de sexos diferentes, não asseguram. Ou asseguram?
Porque não poderão duas mulheres (ou dois homens) darem tanto, ou mais, respeito, atenção e amor a uma criança, quanto dão uma mulher e um homem? O que é que lhes falta para serem tão, parentalmente, competentes quanto um casal heterossexual?

Ah e tal, os filhos precisam de referências de ambos os sexos...
Precisam o tanas! E as crianças que são criadas por apenas um dos progenitores, ou porque o outro morreu, ou porque "deu de frosques", "bazou", "deu à sola"? E as que são criadas por uma avó e pela mãe?  Ou por um avô? Ou pela tia? Ou pelo tio? São menos saudáveis?
Se calhar, são menos felizes por terem perdido o outro progenitor, ou os dois progenitores, mas nunca pelo facto de quem ficou a criá-la ser de determinado sexo. As crianças não exigem variedade sexual no amor que lhes é dado. Exigem amor sim, sincero, puro e verdadeiro, venha ele de onde vier.

Franceses amigos, acordem! Deixem-se de hipocrisias démodé e de conservadorismos que já só conservam teorias velhas e insípidas.

A família é, apenas e só, o amor que nos liga. Tudo o resto são tretas!

Liberté, égalité, fraternitélembram-se?

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