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Ler

Imagem roubada do Google Imagens
Tenho ouvido algumas pessoas dizerem que obrigam os filhos a ler. Um livro por mês, x páginas por semana, um livro durante as férias, etc. Dizem que é para eles aprenderem a gostar de ler, para não perderem o treino, para se familiarizarem com os livros...

Eu nunca obriguei o J. a ler. Nunca. Todavia, ele aprendeu a ler aos cinco anos. 
Primeiro queria saber as letras, depois começou a juntá-las. Formou sílabas e depois palavras. Das palavras às frases foi um salto. Quando as frases não lhe chegavam, leu textos. Quando os textos lhe souberam a pouco, leu livros. O J. lê livros sozinho e lê livros connosco. Traz alguns da biblioteca da escola, que lê também nos intervalos das aulas, e às vezes eu compro-lhe um ou outro. Na verdade, compro-lhe muitos. Tantos, que quando chego a casa e lhe digo "tenho aqui uma coisa para ti!", ele responde-me logo "já sei o que é. É um livro, não é, mãe?".
Mas não o obrigo a lê-los. Trago-os, porque sou uma apaixonada por literatura infantil. Trago-os para ele, mas também para mim.
Para ele, ler é uma coisa natural, é um prazer que ele próprio foi cultivando. 
O meu papel nesta história dos livros, foi apresentar-lhos, foi proporcionar-lhe uma vasta gama de literatura para que ele escolhesse a que mais gostava, a com que se sentia mais identificado e, claro, foi partilhar com ele o meu gosto pela leitura, sem, porém, a impor.

Não acredito que os filhos, de pais que os obrigam a ler, vão alguma vez gostar realmente de ler. Pode ser preconceito meu, mas não acredito.

O gosto pela leitura, tal como qualquer gosto, não pode ser imposto, tem que ser natural, espontâneo, vir de dentro para fora (e não o oposto), senão não é gosto. É tortura!

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O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
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Macacos do Nariz

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Ontem, no elevador, olhei ao espelho o meu peito que espreitava pelo decote em bico da camisola, e vi-a. "Tenho uma tatuagem no meio do peito", pensei. Geralmente, não a vejo. Faz parte de mim, há dez anos, aquele pontinho meio azulado. Já quase invisível aos meus olhos, pelo contrário, ontem, olhei-a com atenção, porque o tempo já me separa do dia em que ma fizeram e me deixa olhá-la sem ressentimentos. À tatuagem como à cicatriz que trago no pescoço.

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Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
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Aponta-lhe a objectiva …

Parabéns ao Blogue!

Este blogue fez dois anos, no sábado passado, mas, para variar, esqueci-me.  Bad girl, bad bad girl!
Parabéns atrasados a ele e a mim (que sou uma atrasada nestas coisas, e noutras...).