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Leoa

A Silvina (sei que não se chama assim, mas para mim será sempre Silvina) é uma miúda de trinta anos, que ontem pôde, enfim, descansar em paz...
Depois de uma cruzada, de quatro anos, contra um cancro que não lhe deu sossego, pôde, finalmente, pousar a cabeça na almofada e serenar. 

Digo "é", porque a Silvina nunca deixará de ser. Por mais anos que passem sobre a sua partida, vai ficar sempre nos corações de quem, de perto ou de longe, foi seguindo os seus Episódios de Radio.
Não consigo falar nela no passado, porque ela nunca será passado!

Se ousasse descrevê-la, diria que a Silvina é um pouco do que há de bom por aí: o riso e o humor; a garra da leoa; a força das marés; a florzinha que nasce por entre as pedras da calçada; o último raio de sol que espreita, ao fundo, na linha do horizonte, quando a noite teima em tomar conta dos nossos dias; as águas do mar que nos embalam com a sua melodia e magnificência...

A Silvina partiu, mas não se foi embora.

Até já, menina!



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